O Banco Central Europeu (BCE) comprou apenas 656 milhões de euros em dívida pública portuguesa em fevereiro ao abrigo do programa de expansão monetária (QE ou quantitative easing). Trata-se do valor mensal mais baixo desde que o programa arrancou (em março de 2015) e é quase metade (menos 45%) face ao montante de aquisições realizadas em igual mês de 2016.
Segundo informou o BCE nesta segunda-feira, este mínimo da série do QE vem sobrepor-se ao anterior, 688 milhões em compras registadas em janeiro, que equivaleram a uma significativa redução homóloga de 42,5%.
Esta forte redução nas compras do BCE ajuda a explicar a subida pronunciada nas taxas de juro das Obrigações do Tesouro (OT) registada em janeiro. E no início de fevereiro também, tendo as taxas a dez anos superado mesmo os 4,2%.
Atualmente, negociam em quase 4% no mercado secundário, valor que é considerado demasiado elevado já que o país tem um fardo de dívida total que equivale a mais de 130% do Produto Interno Bruto, obrigado os contribuintes a pagarem mais de 8 mil milhões de euros anuais em juros.
Esta fatura com juros agrava o défice e força cortes noutras áreas da despesa, aumentos de receita, bem como a manutenção de um nível de impostos muito elevado.
Desde o arranque do QE, o BCE comprou já quase 26 mil milhões de euros em OT portuguesas, com uma maturidade média de 9,3 anos.
Uma vez que o plano de compras de Frankfurt segue a chave da capital dos países no BCE, os títulos alemães são os mais comprados (quase 17 mil milhões de euros em fevereiro, 339 mil milhões de euros desde o início do programa. França é segundo (13,5 mil milhões de euros em compras no mês de fevereiro, 267 mil milhões de euros acumuladas). Itália é terceiro (12 mil milhões no mês passado, 234 mil milhões de euros no total até agora).