BCE: Megafundo europeu deve comprar dívida; juro pode descer em julho

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Um dos altos dirigentes do Banco Central Europeu (BCE) parte a loiça. Benoît Cœuré, membro do conselho executivo da instituição, defendeu hoje que o mega fundo de resgate europeu (FEEF) deve começar a comprar dívida dos países da zona euro em maiores dificuldades e afirmou ainda que reduzir a taxa de juro principal será "certamente uma opção" na reunião do início de julho.

Em entrevista ao Financial Times, o antigo economista-chefe do ministério das Finanças de França, Benoît Cœuré entra em colisão frontal com a nomenclatura vigente, designadamente com o Governo alemão, o principal 'acionista' do BCE, que tem rejeitado sempre este tipo de solução pois seria como mutualizar a dívida, colocando os contribuintes alemães em risco de pagar as dívidas dos outros.

Na entrevista ao FT, Cœuré diz que "as atuais circunstâncias requerem provavelmente uma intervenção do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) no mercado secundário [de dívida pública]". E disse mais: "é certamente um mistério o FEEF ter permissão há quase um ano para fazer intervenções no mercado secundário e os governos ainda não terem escolhido usar essa possibilidade", atirou.

O banqueiro central francês torna-se assim no primeiro alto dirigente do BCE a dizer preto no branco que o FEEF, atualmente com recursos de 440 mil milhões de euros, a defender esta via. Até agora, a voz que mais alto falou em defesa desta opção fora Mario Monti, o primeiro-ministro italiano.

O FT recorda que ainda esta quarta-feira, em Berlim, Angela Merkel, a chanceler alemã, rejeitou a ideia do fundo poder comprar obrigações espanholas ou italianas para arrefecer a alta tensão em que os dois países estão quando procuram ir ao mercado pedir crédito. "Isso é uma discussão puramente teórica", disse Merkel. "De momento, não há discussão", rematou.

Cœuré disse ainda que não será o BCE a comprar dívida dos países em larga escala. O Banco tem, de facto, um programa para intervir neste mercado, mas "não é um instrumento que possa ser usado para resolver dificuldades orçamentais ou para ajudar bancos insolventes". O FEEF terá mais esse perfil, deu a entender.

Em todo o caso, acionar o FEEF para aqueles fins só com a contrapartida de que os países tomam decisões políticas apropriadas e sempre "sob uma forte condicionalidade".

O executivo do BCE disse ainda que a redução da taxa de juro principal, atualmente num mínimo histórico de 1%, será "certamente uma opção" a ter em conta na reunião do próximo dia 5 de julho.

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