BCE revê crescimento da zona euro em alta ligeira, mas inflação continua anémica

BCE sobe ritmo de "compras pandémicas" de obrigações públicas e outros ativos "de forma significativa, já a partir de amanhã", revelou Lagarde. Mas pacote global não mexe.
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A economia da zona euro parece ter aguentado os desenvolvimentos mais adversos da pandemia nos últimos três meses. O Banco Central Europeu (BCE) revelou esta quinta-feira que reviu em alta muito ligeira a previsão de crescimento para este ano de 3,9% (projeção em dezembro) para 4% agora.

O ano passado também saiu menos mal do que o esperado: a economia da moeda única afundou 6,9% e não 7,3% como era esperado nas previsões de dezembro da instituição de Frankfurt.

Mas, revelou a presidente do BCE, Christine Lagarde, o crescimento deste ano continua a ser acompanhado por um impulso bastante fraco nos preços do consumidor. A inflação média esperada ronda 1,5% em 2021 (ainda assim mais do que o 1% previsto em dezembro), portanto fica aquém do limiar de 2% que o BCE pretende atingir no médio prazo.

Adicionalmente, porque as perspetivas de inflação estão muito fracas e há segmentos de crédito que não estão a funcionar em pleno e porque a pandemia continua a provocar estragos na economia, o BCE resolveu aumentar de forma "significativa" as compras de ativos (sobretudo, obrigações do tesouro) ao longo do próximo trimestre no âmbito do programa de compras pandémicas (PEPP, na sigla em inglês, lançado há um ano), embora tenha avisado que o bolo global deste pacote fica inalterado.

Mantém-se "uma dotação total de 1,85 biliões de euros, no mínimo, até ao final de março de 2022 e, em qualquer caso, até considerar que o período de crise do coronavírus terminou", explicou Lagarde.

Ou seja, haverá um tempo, mais para a frente, onde estas compras do PEPP podem começar a descer em termos mensais, de modo a compensar o aumento "significativo" que vai acontecer agora, "já a partir de amanhã", revelou Lagarde.

Na conferência de imprensa, Lagarde também avisou que se o envelope PEPP de 1,85 biliões de euros em compras de obrigações até daqui a um ano não for todo necessário, não será usado.

As taxas de juro principais também ficaram na mesma, em mínimos históricos desde que o BCE as começou a definir (1999).

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