Dois anos depois, o BCP volta aos leilões de imóveis residenciais. No total, vão hoje à tarde a hasta pública, no Corinthia Hotel Lisbon e pela mão da consultora imobiliária Euro Estates, 44 moradias e apartamentos. O valor de saída de todos os imóveis ascende a 2,22 milhões de euros, com os preços a oscilarem os nove mil euros de uma moradia em Campo Maior e uma vivenda em Palmela avaliada em 250 mil euros. São valores de saída - e nem todos serão comercializados -, pelo que o encaixe financeiro para os cofres do banco presidido por Nuno Amado irá depender do preço a que forem arrematados os imóveis. Em entrevista ao Dinheiro Vivo, José Araújo, diretor do negócio imobiliário do BCP, revela as expectativas quanto ao leilão - venda rápida das casas, na sua maioria resultantes de incumprimento de clientes; e como fica composto o balanço do banco depois desta operação.
Quais os objetivos deste leilão?
A opção enquadra-se na constante análise e no acompanhamento que fazemos do mercado e dos feedbacks recolhidos pela estrutura comercial da nossa direção de negócio imobiliário, junto do mercado e dos vários agentes. Atendendo à especificidade desta carteira, quer a norte quer a sul, e aos diversos públicos a que se destinam, seja primeira ou segunda habitação, investidores ou diversificação de investimentos, entendemos ser a melhor forma de comercializar neste momento. Proporcionamos o acesso de todos a estas oportunidades - clientes finais e investidores. Para o BCP, a grande vantagem assenta na aceleração da venda e na dinamização conjunta de diversos mercados distintos, particulares e profissionais.
Qual a origem dos imóveis que vão à praça?
São ativos que estão na carteira do banco cuja proveniência é de adjudicações judiciais, dações de pagamentos ou resoluções de contratos de leasing, maioritariamente por motivos de dificuldade de cumprimento das obrigações pelos clientes.
E o que acontece aos imóveis que não forem vendidos?
Têm mais duas semanas em que podem ser adquiridos ao abrigo do leilão, mas já com um acréscimo de 10% acima do valor-base. Finalizado esse período, os ativos mantêm-se na carteira do banco e regressam a vendas pelo canal tradicional de mediação e a valor. São oportunidades do momento, e no BCP agora é o momento de o mercado absorver estes ativos nestas condições.
O BCP ainda fica com muitos imóveis no balanço?
Nos primeiros nove meses deste ano, o banco já vendeu mais de 1600 dos cerca de 4000 imóveis divulgados no nosso portal. Ativos cuja proveniência é a mesma desta carteira, pelo que a realização de leilões assenta na escolha deste canal de distribuição e de decisão rápida pelo comprador de forma a devolver estes imóveis ao mercado.
Pretendem fazer mais leilões? Que outras formas escoam imóveis?
Não está previsto mais nenhum leilão de imóveis a realizar pelo BCP neste ano. O canal preferencial assenta na forte relação com as sociedades de mediação imobiliárias nossas parceiras, em que a nossa oferta está disponível e acessível a todos no nosso site. Cerca de 90% são escoados por essa via. São eles os profissionais do setor, nunca lhes fizemos concorrência, e talvez por isso nos damos tão bem. As nossas sucursais e o portal são fontes de divulgação e captação de interessados. Seria menos inteligente da nossa parte não aproveitar mais de dois milhões de clientes que nos dão a sua preferência, mas quem faz a visita e fecha o negócio são os mediadores.
Qual a expectativa para hoje?
O BCP tem procurado criar todas as condições para os nossos parceiros e para que o mercado possa absorver todos os ativos envolvidos. Condições que não se esgotam apenas no valor do bem mas também nos termos e nas condições de participação no leilão e de contratualização do bem alienado e no acesso ao crédito após análise que os nossos ativos em comercialização têm. São claramente ambiciosos, havendo condições para se atingir vendas que satisfaçam todos os intervenientes: compradores, leiloeiro e banco.