A Bloomberg LP, empresa de "software" financeiro e proprietária da agência de notícias Bloomberg News, suspendeu as suas operações na Rússia e Bielorrússia, em resposta à invasão russa da Ucrânia, divulgou a própria companhia esta segunda-feira.
Os clientes destes dois países deixam de poder aceder aos produtos financeiros da empresa, incluindo os seus terminais de dados, amplamente utilizados por profissionais do setor, revelou esta agência.
As opções para negociações através das plataformas da Bloomberg com diversos títulos russos também foram desativados, em cumprimentos das sanções impostas pelos Estados Unidos e outros países.
As ações de empresas russas foram também retiradas dos índices globais da Bloomberg.
Esta empresa junta-se a outras multinacionais norte-americanas e de outros países, como do setor bancário, alimentar, mobiliário, vestuário ou restauração, que nas últimas semanas decidiram interromper total ou parcialmente a sua atividade na Rússia, em resposta à invasão da Ucrânia.
Em 04 de março, a Bloomberg já tinha anunciado a suspensão do trabalho dos seus jornalistas na Rússia, na sequência de uma lei que prevê penas até 15 anos de prisão por divulgar o que o Kremlin (presidência russa) considerar "informações falsas".
Por outro lado, a Bloomberg Philanthropies, instituição de solidariedade criada pelo fundador da empresa, Michael Bloomberg, prometeu doar 40 milhões de dólares (cerca de 36 milhões de euros) para apoiar o trabalho humanitário das Organizações Não-Governamentais International Rescue Committee e World Central Kitchen.
A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que matou pelo menos 1.151 civis, incluindo 103 crianças, e feriu 1.824, entre os quais 133 crianças, segundo os mais recentes dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real de vítimas civis ser muito maior.
A guerra provocou a fuga de mais de 10 milhões de pessoas, incluindo mais de 3,8 milhões de refugiados em países vizinhos e quase 6,5 milhões de deslocados internos.
A ONU estima que cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.
A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.