A China tem mais de mil bolsas de toda a espécie, que tanto servem para o mercado de capitais como para o mercado cambial. Mas há uns mais especiais do que outros, como o caso do China Donkey Exchange. Sim, isso mesmo, a Bolsa de Valores de burros. Cada cabeça custa 8 mil yuan (cerca de 1100 euros).
Este índice nasceu porque os burros na China são considerados uma matéria-prima agrícola. O tratamento tradicional para a anemia (e'jiao) é feito com pele de burro cozida e a procura tem aumentado desde a última década por causa do aumento da classe média chinesa, conta a Bloomberg.
"Queremos promover a indústria de criação de burros e aumentar a produção nacional", justifica Liu Guangyuan, responsável de projeto da agência de produção nacional Dong-E-E-Jiao, que criou o índice.
O preço de cada cabeça de burro quadruplicou nos últimos quatro anos por várias razões. Os criadores têm tido dificuldade em renovar os rebanhos porque os burros são difíceis de reproduzir rapidamente - a gravidez dura até 14 meses. Além disso, vários países, como o Níger, têm proibido a exportação de burros para preservação da espécie, e o Burkina Faso impede a exportação das peles.
As transações são feitas via telefone e geridas a partir de uma zona rural da província de Shandong, que fica 400 quilómetros a sul de Pequim. Até agora, já foram negociados 370 milhões de yuan em cabeças de burro. O objetivo é chegar aos 1,5 mil milhões de yuan até final deste ano.
Além do índice de burros, nasceu um índice de orquídeas, noutra província chinesa. Só que estes mercados estão a gerar preocupação junto das autoridades locais, que não estão devidamente preparadas para supervisionar a atividade. Em janeiro, um grupo de chefes responsável pela supervisão dos mercados regionais disse em comunicado que algumas plataformas estão a ser criadas para atividades ilegais.