O Boom Festival arranca oficialmente na próxima quinta-feira, mas em Idanha-a-Nova o impacto começou a ser sentido muito tempo antes. O evento dá emprego a 1 500 pessoas neste concelho e contribui para um crescimento de até 40% nos negócios locais, como restaurantes e fornecedores.
“Criamos 1 500 postos de trabalho entre novembro de 2015 e novembro de 2016. Destes, 200 são de pessoas que residem em Idanha-a-Nova”, refere Artur Mendes, da organização do evento ao Dinheiro Vivo. O festival emprega pessoas de 52 nacionalidades e conta ainda com um total de 400 voluntários. “Os salários são acima da média”, acrescenta Artur Mendes.
O impacto do Boom Festival, que conta receber mais de 30 mil visitantes entre 11 e 18 de agosto, estende-se ao negócio local e à hotelaria. Exemplo disso é o hotel Estrela da Idanha, que de dois em dois anos fica com lotação esgotada.
“95% dos nossos hóspedes são estrangeiros. Desde a implementação do festival em Idanha-a-Nova, em 2002, esta tem sido uma mais-valia para nós”. Benefício que tem “contribuído significativamente para manter uma tesouraria equilibrada”, refere Emília Cordeiro, proprietária do espaço de três estrelas.
O mesmo acontece na Pousada da Juventude e no Parque de Campismo. Na pousada, a lotação encontra-se esgotada há meses, com as camas ocupadas “maioritariamente por estrangeiros”, refere António Luís Silva, coordenador da região centro da Movijovem. No campismo o que não falta são pedidos de informações. “A maioria dos campistas e caravanistas não faz reserva, mas temos registado um aumento de procura de informação por portugueses e estrangeiros que vão participar no festival”, adianta Rui Mendonça, responsável.
O festival, distinguido em julho pelo Guardian e pela revista Rolling Stone, também ajuda o comércio. Exemplo disso é a cadeia de hipermercados Intermarché. “Registamos um acréscimo de vendas a rondar os 40% na semana do festival”, indica Jorge Rafael, gerente no concelho. A experiência agrada tanto que “há pessoas que regressam depois de férias mesmo sem o Boom”.
Este crescimento é sentido ainda por algumas das empresas que fornecem o festival e alguns dos restaurantes da região, que enchem durante a realização do evento. “Temos de fazer horas extraordinárias e recrutar pelo menos um trabalhador para responder às necessidades dos restaurantes”, adianta Sónia Boarqueiro, da Infini Frutas.
O Boom Festival também ajuda a desenvolver o concelho de Idanha-a-Nova, que tem 9 716 habitantes, segundo os dados dos Censos 2011. “Em 2014, o nosso negócio cresceu 6% por causa do Boom. Muito mais difícil de contabilizar é a projeção da região como ponto de interesse cultural e turístico e a imagem que de nós apresenta: de um distrito dinâmico, que vale a pena visitar e onde é bom viver”, destaca Hugo Trigo, da Cabotrox, empresa especialista em comércio de material elétrico.
O Boom Festival ajuda ainda instituições de solidariedade. Só na última edição “foram doados 11 mil euros”, refere Artur Martins, da organização do evento.