Brasil está a arrefecer e não é por causa do inverno

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A primeira notícia do Jornal Nacional da Rede Globo da última

terça-feira relatava que numa cidade do sul do Brasil os termómetros

tinham registado zero graus. A partir daí, a temperatura do jornal

só baixou: falou-se do arrefecimento da economia brasileira, cujo

PIB cresceu no primeiro trimestre deste ano apenas 0,2% em

relação ao trimestre anterior, dos maus resultados do país em

comparação com os outros BRIC e da conjuntura de crise

internacional a que já nem o gigante sul-americano parece imune.

Richard Lapper, diretor do Brazil Confidential, o serviço de

análises sobre o Brasil do jornal britânico Financial Times,

acabou".

Parte importante do PIB, a agropecuária foi o segmento que mais

puxou o crescimento da economia para baixo, sob o lado da produção.

Houve variação negativa de 7,3% nos três primeiros meses de 2012

em relação ao último trimestre do ano passado e na comparação de janeiro a março deste ano, contra o mesmo período do ano passado, a

queda do setor foi ainda maior, de 8,5%.

contra outubro a dezembro de 2011, e 2,1% na comparação anual,

refletindo o temor das empresas em relação ao agravamento da crise

internacional. Também contribuíram para a desaceleração da

economia o aumento das importações, que cresceram 6,3% no primeiro

trimestre de 2012 em relação a igual período do ano passado.

Neil Shearing, da consultoria Capital Economics, em Londres, disse

à BBC que o problema é que o crescimento brasileiro ficou atrás

não só dos outros BRIC, mas também de outros latino-americanos,

como o México: "Havia uma bolha de entusiasmo pelo Brasil - e

agora ela estourou".

A tributação, os custos do capital, os elevados preços da

eletricidade e gás e a falta de infraestruturas são apontados pela

maioria dos analistas como causa profunda do baixo crescimento do

PIB, ao lado da crise global . "Nem as empresas mais modernas dos

países mais desenvolvidos conseguiriam ser competitivas com os altos

custos de produção que sofre a indústria brasileira", disse

Paulo Skaf, presidente da FIESP, a federação das indústrias de São

Paulo, o estado locomotiva do país. Skaf tem elogiado as medidas de

Dilma Rousseff no sentido de resgatar os números da economia

brasileiras mas considera-as pontuais.

A presidente do Brasil anunciou medidas a redução do imposto

sobre produtos industrializados dos automóveis e a diminuição da

redução da taxa de juros mas prepara um novo pacote. "Enfrentámos

a crise de 2008 e 2009 com crescimento económico, estímulo ao

consumo e à produção, com geração de emprego e salários mais

altos. Agora vivemos a segunda onda dessa crise internacional e,

podem ter a certeza de que saberemos enfrentar essa experiência com

mais sabedoria e com melhores instrumentos", disse Dilma esta

semana. A presidente reuniu seis ministros da área da economia para

definir pacotes de medidas que visem a recuperação já no último

trimestre deste ano.

Talvez o Brasil nunca tenha estado tão aquecido no passado como

se previu. Mas talvez não esteja tão arrefecido agora como os

números façam crer. "Os mercados financeiros costumam ir de um

extremo a outro quando as suas expectativas sobre um país não são

confirmadas", comentou o economista Jim O"Neill, o autor do termo

BRIC. "As previsões para o crescimento brasileiro eram muito

elevadas, principalmente depois da alta de 7,5% do PIB em 2010, e

ajustes eram necessários. Mas agora há análises que estão

exagerando problemas e riscos para o Brasil".

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