Bruxelas revê em ligeira alta crescimento da economia europeia

Executivo comunitário aponta que "quase um ano depois de a Rússia ter lançado a sua guerra de agressão contra a Ucrânia, a economia da UE entrou em 2023 numa posição melhor do que aquela projetada no outono", em novembro de 2022.
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A Comissão Europeia reviu esta segunda-feira em ligeira alta as projeções de desempenho da economia europeia este ano, estimando agora que o PIB cresça 0,9% na zona euro e 0,8% na União Europeia, quando no outono previa 0,3% em ambos os casos.

Nas previsões económicas de inverno hoje divulgadas, o executivo comunitário aponta que "quase um ano depois de a Rússia ter lançado a sua guerra de agressão contra a Ucrânia, a economia da UE entrou em 2023 numa posição melhor do que aquela projetada no outono", em novembro passado, estimando agora Bruxelas que ambas as áreas "evitem por pouco a recessão técnica que se antecipava para a viragem do ano".

Face ao desempenho mais positivo do que o esperado da economia europeia no último trimestre do ano passado, a Comissão melhora assim as projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no espaço da moeda única e no conjunto dos Estados-membros em 0,6 e 0,5 pontos percentuais, respetivamente, mas para 2024 manteve as previsões de crescimento que avançara há três meses, antecipando um crescimento de 1,8% na zona euro e de 1,6% na UE.

"Após uma expansão robusta na primeira metade de 2022, a dinâmica de crescimento diminuiu no terceiro trimestre, embora ligeiramente menos do que o esperado. Apesar de choques adversos excecionais, a economia da UE evitou a contração do quarto trimestre projetada nas previsões de outono", explica a Comissão, lembrando que as estimativas atuais são no sentido de a taxa de crescimento anual para 2022 ter sido de 3,5%, tanto na zona euro como no conjunto da União.

Deste modo, "a evolução favorável desde as previsões de outono melhorou as perspetivas de crescimento para este ano", sobretudo porque "a diversificação contínua das fontes de abastecimento e uma queda acentuada no consumo deixaram o armazenamento de gás níveis acima da média sazonal dos últimos anos, e os preços do gás por grosso caíram muito abaixo da média dos níveis registados antes da guerra".

"Além disso, o mercado de trabalho da UE tem continuado a ter um forte desempenho, com a taxa de desemprego a permanecer no seu mínimo histórico de 6,1% até ao final de 2022" e, por outro lado, "a confiança está a aumentar e os dados de janeiro sugerem que a atividade económica também deverá conseguir evitar uma contração no primeiro trimestre de 2023".

No entanto, alerta Bruxelas, "os ventos contrários continuam fortes", sobretudo atendendo a que "os consumidores e as empresas continuam a enfrentar elevados custos energéticos e a inflação de base (inflação global excluindo energia e alimentos não transformados) estava ainda a aumentar em janeiro", continuando a desgastar o poder de compra das famílias.

"À medida que as pressões inflacionistas persistem, o rigor da política monetária deverá continuar a pesar sobre a atividade empresarial e a prejudicar o investimento", receia o executivo comunitário.

Ainda assim, Bruxelas considera que, "embora a incerteza em torno das previsões permaneça elevada, os riscos para o crescimento são amplamente equilibrados", até porque "a procura interna poderá ser mais elevada do que o projetado se as recentes quedas nos preços do gás por grosso traduzirem-se nos preços ao consumidor de uma forma mais vincada e o consumo revelar-se mais resiliente", ainda que "uma potencial inversão dessa queda não possa ser excluída, no contexto de tensões geopolíticas contínuas".

Bruxelas nota ainda que "a procura externa poderá também revelar-se mais robusta, após a reabertura da China", o que, no entanto, também poderia ter como efeito colateral aumentar a inflação global.

A Comissão sublinha que estas previsões intercalares de inverno - que contemplam apenas a evolução do PIB e da inflação - assentam no "pressuposto puramente técnico de que a agressão da Rússia à Ucrânia não irá aumentar, mas irá continuar ao longo de todo o horizonte de previsão".

As próximas previsões económicas, da primavera, serão publicadas em maio próximo.

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