A União Europeia (UE) acordou hoje um novo pacote de sanções contra o Irão, que vai incluir, entre outros aspetos, as transações financeiras e os setores do gás e do comércio, indicaram fontes diplomáticas.
O novo pacote de sanções, considerado como "muito robusto", foi acordado pelos embaixadores dos 27 Estados-membros da UE e será aprovado num encontro de ministros dos Negócios Estrangeiros europeus, a decorrer na segunda-feira no Luxemburgo, disseram as mesmas fontes, citadas pelas agências internacionais.
A UE "vai decidir pela primeira vez atingir o setor das telecomunicações", em particular as empresas do setor suspeitas de apoiar financeiramente o regime de Teerão, precisou um diplomata, em declarações à agência noticiosa francesa AFP. As empresas abrangidas pelas medidas serão divulgadas posteriormente.
Todas as transações financeiras entre bancos europeus e entidades bancárias iranianas serão submetidas a uma proibição de princípio, bem como a um limite que será "relativamente baixo", referiu a mesma fonte.
As operações comerciais relacionadas com a aquisição de produtos alimentares, equipamento médico ou com fins humanitários serão salvaguardas, acrescentou.
As importações de gás iraniano passam a estar igualmente interditas.
As sanções vão igualmente abranger a exportação de materiais que possam vir a ser utilizados para programas nucleares e balísticos iranianos, como, por exemplo, alumínio.
Os 27 Estados-membros acordaram ainda, entre outras medidas, a proibição dos registos de navios iranianos e o congelamento de bens de cerca de 30 novas empresas, nomeadamente dos setores bancário e petrolífero.
O acordo foi possível após longas negociações, especialmente devido a alguns "desafios jurídicos" apresentados por algumas medidas, mas também pela relutância de alguns governos europeus, indicaram as mesmas fontes.
Este novo pacote de medidas vem reforçar as sanções bancárias e comerciais já impostas pelos parceiros europeus ao regime de Teerão. A mais severa é o embargo petrolífero, medida que, em concordância com os Estados Unidos, entrou em vigor oficialmente em julho passado.
O objetivo de Bruxelas é pressionar o regime de Teerão a regressar à mesa das negociações com o grupo 5+1 (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU -- Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido -, e Alemanha) para debater o controverso programa nuclear iraniano.
A comunidade internacional suspeita da natureza do programa nuclear iraniano, afirmando que Teerão tem ambições bélicas e pretende adquirir armas atómicas.
O regime iraniano sempre recusou tais acusações, salientando o carácter civil e pacífico do programa.