Depois de dois anos, a Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL) voltou a abrir portas para receber profissionais e público em geral entusiasta das viagens num encontro há muito esperado. O certame, que arrancou na passada quarta-feira, 16, termina hoje e a organização assegura que esta foi "a melhor edição de sempre da BTL".
Durante cinco dias passaram pela FIL, no Parque das Nações, perto de 70 mil visitantes. Os quatro pavilhões encheram-se com 1400 expositores que foram a casa de 60 destinos internacionais, entidades regionais de turismo, câmaras municipais bem como empresas de toda a esfera do turismo como agências de viagens, operadores turísticos ou alojamentos.
Em destaque esteve o Turismo do Porto e Norte de Portugal que assumiu o papel de destino convidado nesta edição. Num stand com 1200 metros quadrados decorreram mais de 600 iniciativas para promover a oferta turística dos vários municípios como a rota de vinhos e de enoturismo, mas também as termas do Porto e Norte de Portugal ou a rota do turismo industrial.
O espaço saltou à vista no pavilhão dois não só pela imponência da dimensão mas pelo apelo solidário para com a Ucrânia. No letreiro do stand esteve em exposição uma bandeira do país e a palavra ''paz''.
No primeiro dia também o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, fez questão de visitar o espaço do Turismo do Porto e Norte de Portugal, onde se encontrou com o presidente Luís Pedro Martins que o guiou pelos vários expositores da região.
A feira dividiu-se em dois momentos: durante a semana, entre quarta e sexta-feira, foi inteiramente dedicada aos profissionais e, no fim de semana, abriu as portas ao público com promoções exclusivas. Hotéis, operadores turísticos e agentes de viagens preparam pacotes de descontos para incentivar os portugueses à compra de férias.
Outra das iniciativas que marcou esta edição da BTL foi a Bolsa de Empregabilidade, que decorreu nos dias 18 e 19 de março. A iniciativa reuniu empresas e candidatos numa pequena feira com o objetivo de recrutar profissionais para o setor do turismo. O primeiro dia da iniciativa ficou marcado por um protesto organizado por perto de 50 trabalhadores da hotelaria que denunciaram o congelamento da contratação coletiva e os baixos salários praticados.
"Aproveitámos este evento, que é a BTL, [para nos manifestarmos] pois estão também aqui representadas as associações patronais dos hotéis e da restauração. Quisemos vir aqui fazer uma ação de denúncia, porque a nossa federação, que negoceia os contratos coletivos de trabalho para os trabalhadores deste setor tão importante para a economia do país, está confrontada com o seu congelamento", disse a coordenadora da Federação dos Sindicatos de Agricultura, Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal (FESAHT), Maria de Deus Rodrigues.
A responsável alertou para o facto de "uma percentagem enorme dos trabalhadores" ganhar o salário mínimo.