O BuzzFeed News vai ser encerrado como parte de um plano de reestruturação da empresa, anunciou o CEO Jonah Peretti esta quinta-feira num memorando enviado aos funcionários. O site noticioso, que em 2021 ganhou um conceituado prémio Pulitzer nos Estados Unidos, nunca foi lucrativo mas publicou investigações relevantes e inúmeros exclusivos.
A casa-mãe BuzzFeed foi fundada em 2006 e popularizou o formato de listas e a partilha de "memes." Um artigo da New York Magazine dizia que o BuzzFeed "tornou o mundo num meme."
No entanto, com condições económicas adversas e sem dar lucro, num momento em que muitas empresas procedem a despedimentos em massa e o investimento publicitário contrai, a BuzzFeed diz que não consegue continuar a manter o órgão de comunicação em funcionamento. Foi isso que explicou Peretti no memorando.
Cerca de 60 pessoas vão ser afetadas pelo encerramento do site, sendo que alguns jornalistas poderão encontrar novos cargos dentro da organização - que, em 2020, comprou o Huffington Post. Peretti escreveu que a decisão de "sobreinvestir" no BuzzFeed News foi tomada porque ele adorava o trabalho produzido, mas a situação ter-se-á tornado incomportável.
"Aprendi com estes erros e a equipa também aprendeu com eles", escreveu o CEO. "Sabemos que as mudanças e melhorias que estamos a fazer hoje são passos necessários para construir um futuro melhor."
De uma forma mais abrangente, a BuzzFeed vai despedir 15% da sua força laboral (180 pessoas), apenas mais uma das muitas empresas que estão a reduzir o número de empregados.
Mas no negócio dos média digitais, a situação é particularmente precária. O destino do BuzzFeed News e as dificuldades da BuzzFeed demonstram como é difícil construir um negócio digital sólido mesmo com as melhores e mais inovadoras ferramentas do mercado - a BuzzFeed foi a inveja de muitas organizações de média nos tempos áureos. Tal como esta, outras empresas de média outrora promissoras, como a Vice e a Vox Media (que alberga marcas portentosas como Recode de Kara Swisher), não conseguiram cumprir as expectativas auspiciosas que lhes renderam valorizações elevadas.
Sendo o mercado publicitário relativamente pouco elásttico, quando os orçamentos online estão a direcionar-se para plataformas sociais como TikTok e Instagram, os investimentos em publicidade digital são reduzidos nos outros meios.
Também esta quinta-feira, o Insider anunciou que vai despedir 10% do seu pessoal.