Bwin: "O nosso patrocínio aos clubes de futebol está em risco"

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Desde o início da semana que a empresa de apostas e jogos online Bwin suspendeu a publicidade no mercado português.

A decisão da empresa, com sede em Gibraltar, surge na sequência da decisão de tribunal de não suspender a sentença do Tribunal Cível do Porto de considerar ilegal a publicidade da marca. Em entrevista ao Dinheiro Vivo, John Shepherd, director de comunicação corporativa do grupo bwin.party, reage a esta proibição e explica a posição da empresa.

O responsável da Bwin não revela valores que clarifiquem o verdadeiro impacto do fim da publicidade da marca no mercado português. Mas os números avançados pela Federação Portuguesa de Futebol Profissional dão uma noção dessa dimensão: na época anterior os clubes receberam no âmbito do patrocínio à Taça da Liga (Bwin Cup) 3,8 milhões de euros.

O fim da publicidade em Portugal significa igualmente o desaparecimento de um investimento que, até Novembro do ano passado, de acordo com os dados da MediaMonitor (valores sem descontos), se cifra nos 1,7 milhões de euros, distribuídos pela imprensa e televisão, embora nem todos os meios vejam o investimento em publicidade monitorizado pela empresa da Marktest.

É o caso dos canais temáticos da SportTV e da internet. Neste último media, de acordo com as fontes de mercado ouvidas pelo Dinheiro Vivo, a Bwin é um anunciante de peso e um dos maiores (se não o maior) dos operadores de jogos online, com um bolo de investimento de cerca de um milhão de euros.

A Bwin suspendeu as campanhas de publicidade em Portugal devido a uma recente decisão do tribunal. Apelaram da decisão e aguardam uma resolução. Que efeito esta suspensão irá ter nos atuais contratos com clubes, parceiros de media e outros? Se a Bwin não tiver autorização para fazer publicidade em Portugal qual será a futura estratégia para este mercado?

Em primeiro lugar, temos de colocar em contexto a decisão do tribunal - o tribunal falhou em não ter em consideração a lei europeia. É por isso que vamos apelar da decisão, sobretudo, porque o monopólio português é livre de fazer publicidade de forma agressiva enquanto que a concorrência estrangeira está bloqueada.

Suspendemos a nossa publicidade: é importante referir que a decisão do tribunal põe em risco fundos valiosos para o nosso patrocínio aos clubes de futebol e outras entidades comerciais. O nosso apelo não visa apenas o restabelecimento dos nossos direitos, mas também o de outros que concorrem contra o monopólio - isto está no coração do Tratado Europeu.

Esta suspensão também se aplica à publicidade digital?

A decisão proíbe a publicidade das marcas bwin e betandwin. Isto viola a lei da União Europeia e vamos vigorosamente desafiar isso.

Quanto é que a Bwin tem investido no mercado português, em publicidade, contratos...?

Não divulgamos os nossos dados financeiros por razões de confidencialidade comercial. Contudo, a decisão do tribunal levou-nos a suspender a nossa publicidade, o que põe em risco os benefícios financeiros do nosso patrocínio aos clubes de futebol e outras empresas.

Isto irá afetar de alguma forma a principal atividade da Bwin em Portugal - as suas plataformas de jogo e apostas online?

As nossas plataformas de jogos permanecem muito abertas para negociar. Estamos licenciados e regulados em Gibraltar o que, sob a lei da União Europeia, significa que podemos oferecer os nossos serviços na União Europeia.

A Bwin tem referido a falta de leis em Portugal para regular o jogo online. Também tem dito que o atual monopólio - pela Santa Casa da Misericórdia - é ilegal. Que medidas irão tomar se os tribunais nacionais confirmarem a proibição da publicidade da Bwin?

Temos sido há vários anos os defensores dos direitos dos consumidores em participar nos jogos online por toda a União Europeia. França, Itália, Dinamarca e Reino Unido introduziram todos regimes regulatórios conformes à lei da União Europeia. Outros países membros vão no mesmo sentido. A nossa posição mantém-se inalterável - a pressão está em Portugal para obedecer à lei da União.

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