Bastaram pouco mais de duas horas para a Caixa Geral de Depósitos
(CGD) conseguir colocar 750 milhões de euros de obrigações
hipotecárias a cinco anos no mercado, com um custo de financiamento
abaixo de 4%. Desde 2009 que o banco público não realizava emissões
desta natureza. "A emissão permitiu-nos abrir uma ponte de
financiamento que não estava aberta. Além disso, permite-nos
reduzir a exposição ao Banco Central Europeu (BCE) - cuja exposição
ascende a 9 mil milhões de euros - e estender o funding para além
do programa de financiamento de longo prazo do BCE (LTRO)",
afirmou João Nuno Palma, CFO da Caixa, ao Dinheiro Vivo.
A Caixa captou o interesse de 200 investidores, tendo 90% da
operação sido colocada junto de internacionais, destacando-se o
Reino Unido (19%), Alemanha e Áustria (19%), França (13%) e Espanha
(10%). Em Portugal ficaram 9%.
Pela emissão de 750 milhões de euros de obrigações
hipotecárias a Caixa pagou um cupão de 3,75%, tendo a yield da
operação, ou seja, o custo para a CGD sido de 3,835%.
A procura rondou os quatro mil milhões de euros, mais de cinco
vezes o valor da emissão.
Mudança na administração
A saída de António Nogueira Leite da Caixa, onde ocupava cargo
de vice-presidente ao lado de Norberto Rosa, deixou um lugar em
aberto na administração do banco público e colocou em cima da mesa
várias opções. Uma das possibilidades, tal como o Dinheiro Vivo
avançou em primeira mão, é colocar uma mulher na Caixa (leia mais
na pág. 15), seguindo algumas recomendações da Comissão Europeia
de reforçar as mulheres nas administrações das empresas. Outra
possibilidade é optar-se por uma solução interna e aqui surge o
nome de Jorge Cardoso, atual presidente do Caixa BI. O Dinheiro Vivo
sabe que há também no governo quem defenda uma reformulação na
administração, mas essa deverá ser uma solução menos provável. (leia mais aqui)
Para já o processo ainda não está encerrado, aguardando-se o
regresso de férias de José de Matos, presidente executivo da CGD.