Camarão congelado surpreende Jerónimo Martins na Colômbia

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Um mês depois de ter arrancado com supermercados na Colômbia, a

Jerónimo Martins já tirou as primeiras conclusões. Na lista dos

produtos mais procurados estão, naturalmente, o arroz e o açúcar,

mas há um que surpreendeu: o camarão. "É o campeão de vendas

dos congelados e, isso sim, foi surpreendente", garante Pedro

Soares dos Santos, CEO da Jerónimo Martins, num balanço parcial da

operação. "Ainda é cedo, mas as nossas impressões são

positivas. Estamos a ser muito bem recebidos".

Para além do

camarão, há mais surpresas. "As ofertas temporárias de

produtos não-alimentares também foram muito bem recebidas,

especialmente o DVD+Karaoke, as televisões LED e as panelas de

pressão. Vendemos milhares". Até ao final do ano, o plano da

Jerónimo Martins passa por abrir entre 30 a 40 lojas na região do

Eixo Cafeteiro, a norte de Bogotá, a uma média de uma loja por

semana. "Ontem, abriu a nona loja ARA", garante o CEO, que

passa agora bastante mais tempo na América Latina. "De quinze

em quinze estarei na Colômbia. Temos uma boa equipa e eu irei passar

por aqui, sempre focado em temas específicos", garantia ao

Dinheiro Vivo no dia da abertura da primeira loja.

O plano, a médio prazo, é ambicioso. Depois de Portugal, depois

da Polónia, depois de falhar no Brasil, os donos do Pingo Doce

investiram 150 milhões no mercado colombiano, com metas definitivas:

daqui a três anos, a operação já deve compensar o investimento

feito. Nesse período, e até a Colômbia ser rentável, o grupo vai

manter a mesma estrutura de governação: com Pedro Soares dos Santos

como CEO e o pai, Alexandre, no lugar de chairman do grupo. Tudo para

manter a estabilidade no grupo e porque os desafios neste novo

mercado são completamente diferentes. "Num país como a

Colômbia, em que as infraestruturas viárias estão ainda longe de

serem as ideais, temos de fazer uma gestão de stocks muito diferente

da que temos em Portugal ou na Polónia", garante o CEO. "Ou

seja, precisamos permanentemente de ter stock para garantir as

entregas às lojas".

O peso que a Colômbia terá na faturação do grupo ainda é

difícil de prever. Esta semana, os resultados do grupo para o

primeiro trimestre de 2013 mostraram uma subida de 10% nos

resultados, impulsionados pelas vendas na Polónia. A marca polaca

mantém-se como a principal fonte de crescimento das receitas e já é

responsável por 65,5% das vendas do grupo. Sozinha, a Biedronka já

fatura quase três vezes mais do que o Pingo Doce.

Ao contrário da Sonae - que ainda não arrancou com a operação

em Angola, mas que tem outras áreas para equilibrar a quebra no

mercado português -, a Jerónimo Martins tem procurado soluções em

novos mercados. Em 2001, quando entrou no Brasil, a JM comprou uma

rede de supermercados já estabelecido. Agora, e com o Brasil

"enterrado", como já descreveu Soares dos Santos, a aposta passa

por lojas de proximidade na Colômbia.

1.º de maio é para repetir?

Em 2012 e 2013, o Pingo Doce cortou na publicidade e no

investimento para apostar em promoções. E a 1 de maio de 2012 criou

a campanha de descontos mais agressiva de que há memória,

garantindo 50% de descontos sobre todos os produtos até um limite de

100 euros. Este ano, e apesar da estratégia dos descontos continuar,

o exemplo dificilmente se repetirá, a julgar pelas palavras, em março, de Alexandre Soares dos Santos."Quem não tem promoções

simplesmente não vende", garantia numa entrevista à RTP em março.

E o 1.º de maio, é para repetir? "Dificilmente", acrescentou o

chairman do grupo.

Consumo pressiona Recheio

Menos restaurantes e supermercados, menos receitas para os

grossistas que alimentam este circuito. Dentro do grupo Jerónimo

Martins é a cadeia Recheio que alimenta este canal e os resultados

do primeiro trimestre mostram exatamente isso. Apesar de ter ganho

quota de mercado, as vendas do Recheio no primeiro trimestre caíram

2,1% face ao mesmo período em 2013. Já no Pingo Doce, que serve o

consumidor final, as vendas subiram 5,3% num ano.

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