O Banco Português de Fomento assinou os primeiros contratos de investimento do Programa de Recapitalização Estratégica, que tem alocados 400 milhões para empresas, verbas provenientes do Fundo de Capitalização e Resiliência operacionalizado no âmbito do Quadro Temporário de Auxílio Estatal.
Durante a Web Summit, também foram reveladas novas medidas de apoio à atividade empresarial. Sabe-se por ora que há a intenção de criar um mecanismo de mitigação de riscos e um regime fiscal mais atrativo para as startups, designadamente reduzindo o IRS de quem é pago com stock options em empresas tecnológicas emergentes. São boas notícias para as empresas portuguesas, numa altura em que se assiste à diminuição global das fontes de financiamento. Há falta de liquidez no mercado, o crédito está cada vez mais caro e as empresas sofreram cortes nas avaliações - circunstâncias que agravam significativamente as dificuldades para captar capital.
A instabilidade geopolítica, a crise energética, a escalada da inflação e a subida das taxas de juro acabaram com o dinheiro fácil. Perante isto, parece-me fundamental encontrar alternativas às fontes de financiamento tradicionais. É necessário suprir as insuficiências do mercado no financiamento das empresas, através de instrumentos financeiros de capitalização e apoio ao investimento com dotação pública. Persistindo as dificuldades de acesso ao crédito bancário e os problemas de tesouraria do tecido empresarial, importa aumentar as maturidades de financiamento das empresas e a liquidez na economia numa perspetiva anticíclica.
A estratégia de capitalização deve passar, claro, pelo Banco de Fomento. Mas a instituição precisa de melhorar o seu modelo de governação, reforçar meios financeiros e agilizar processos de investimento/financiamento. Há também que criar melhores condições, designadamente fiscais, para os investidores privados. Um quadro fiscal mais favorável e uma política de incentivos financeiros estável e robusta permitiriam capacitar os investidores que operam no nosso mercado.
Em suma, numa conjuntura de dinheiro caro e com as empresas ainda financeiramente debilitadas pela crise sanitária, o país tem de reforçar programas de capitalização empresarial, com recurso aos fundos comunitários e através de instrumentos bem desenhados e ágeis, que vão ao encontro das necessidades das empresas.
Alexandre Meireles, presidente da ANJE - Associação Nacional de Jovens Empresários