O responsável lembra que aquando da emissão de papel comercial em pequenas subscrições, para clientes de retalho, foi pedida informação pela CMVM - para aquelas operações não é necessário um prospecto informativo - mas foram obtidos resultados errados com "capitais próprios positivos", o que não correspondia à realidade: "Pedimos um documento que continha as contas do BES e da Rioforte, mas não eram as verdadeiras como agora sabemos", afirmou.
Em resposta ao deputado socialista João Galamba, Carlos Tavares justificou que "os títulos foram vendidos com base em informação não verdadeira", e que agora devem ser apuradas responsabilidades. "Como foi possível? Iludindo", sublinhou.
"Há muito tempo que me preocupa o facto de os bancos financiarem o seu capital através de empréstimos aos clientes ou usando a sua base de clientes para suportarem aumentos de capital", sustentou o presidente da CMVM, afirmando ainda que, "tudo se passou num curto período de tempo com base em informação incompleta e não verdadeira" e que a CMVM "só teve acesso ao relatório de auditoria nas vésperas do aumento de capital". O mesmo onde foi exigido um prospecto que acabou por apontar inúmeros riscos nas contas do Grupo Espírito Santo.
O presidente da CMVM lembra que "os auditores têm responsabilidades que terão de ser apuradas". E não só os auditores: "Todos os órgãos da sociedade", referiu.
Carlos Tavares referiu também esta manhã que "não podemos exigir informação que não sabemos que existe", e assumiu que "haverá mais informação relevante" para além daquela que o prospecto já destapou.
Apesar disto, entende que "a garantia [revogável]" que compensará os clientes "que compraram de boa fé papel comercial" deve ser honrada. E deixou um recado: "A palavra na banca vale tanto quanto um documento".