Na semana passada foi anunciada a criação de uma Câmara de Comércio Portugal-China PME (CCPC-PME), dedicada às relações comerciais das pequenas e médias empresas portuguesas com a China. No comunicado onde é dada conta da criação desta organização, é indicado que o conselho executivo desta nova organização é presidido por Y Ping Chow, o presidente da Liga dos Chineses em Portugal, e o conselho estratégico pelo CEO do Bison Bank, Bian Fang.
Através de comunicado, a Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa opõe-se à criação desta nova organização. Na nota, a CCILC assume "publicamente uma posição contrária à criação da associação referida, posição essa já transmitida formalmente ao promotor aquando da sua criação de uma outra “Câmara de Comércio”, também essa ligada ao universo Portugal-China, por pretender criar uma evidente confusão com a utilização da designação “Câmara de Comércio”, uma alegada plataforma alternativa à original (CCILC) que não possui estatuto de utilidade pública ".
Ao Dinheiro Vivo, José Marques da Cruz, presidente da CCILC, reforça que tomou conhecimento da existência desta organização através dos meios de comunicação. "Soubemos pela agência Lusa, de facto. E o promotor [da associação] decidiu dar uma entrevista a um jornal de Macau, que a nossa delegação nos enviou".
"O que está em causa é uma questão de egos do promotor", afirma João Marques da Cruz. "Que se candidate, que apresente uma lista para a câmara. Quando alguém acha que tem condições candidata-se".
"Não é criar uma coisa paralela ao lado, isso não cabe na cabeça de ninguém. Não ajuda para nada, não ajuda a relação económica entre Portugal e China, é uma questão de ego", avança o presidente da CCILC. "Candidate-se à presidência da Câmara de Comércio, com a sua equipa, e os sócios dirão. Terei todo o gosto de lhe dar todo o apoio se isso for a vontade dos sócios", diz João Marques da Cruz.
No comunicado da CCILC, é ainda indicado que a Câmara acredita que a "livre criação de associações constituídas por pessoas singulares ou coletivas faz parte dos direitos constitucionais, que naturalmente saudamos e respeitamos". No entanto, conforme explica João Marques da Cruz, "também há a questão da transparência". "Ao escolher esse nome não está a fazer um bom serviço, por uma razão que é relativamente óbvia". Marques da Cruz refere que não existem duas organizações da Câmara de Comércio Luso Espanhola, por exemplo. "Por que razão é que haveria de existir duas organizações?", questiona. "A relação é mais importante do que as pessoas", diz João Marques da Cruz.
No comunicado, é possível ler que "o promotor da anunciada “Câmara”, fundou várias entidades similares, sempre adequadas a necessidades particulares do momento, a saber: a Associação Industrial e Comercial Chinesa, a Associação para a Promoção da Paz e China Única, o consórcio PTCN – Missão Empresarial PortugalChina, a Câmara de Comércio Portugal-Guizhou, a Câmara de Cooperação e Desenvolvimento Portugal China ou a Câmara de Comércio de Portugal na China, apresentada formalmente numa visita de Estado, mas nunca legalmente constituída".
Reiterando uma "postura de abertura e apoio constante a todas as entidades que gravitam neste universo das relações bilaterais", com quem "tem a honra de trabalhar em conjunto", inclusive "aquelas que existem e as que estão por nascer", a CCILC refere que isso é feito "sem pactuarmos com situações que se nos afiguram de menor transparência como uma Câmara de Comércio alternativa".
Em nota enviada às redações na semana passada, a CCPC-PME dava conta de sede em Condeixa. "Tendo como destinatário o vasto campo das PME (pequenas e médias empresas) interessadas em exportar e importar de e para a China, a nova Câmara de Comércio tem sede na vila de Condeixa (num espaço cedido pelo município) e delegações em Lisboa e no Porto”.
O grupo de empresários, advogados e políticos que constitui a CCPC-PME o programa de trabalho da organização prevê a criação de "fundos de investimento, nomeadamente nos setores de turismo e agroalimentar, e a criação de uma ‘Casa de Portugal’ numa das maiores plataformas da venda online”. “Entre as ações mais imediatas da CCPC-PME constam visitas de apresentação de cumprimentos às diversas entidades oficiais e a outras Câmaras de Comércio tendo em vista a formulação de boas formas de cooperação”.