Se a Confederação de Comércio de Portugal (CCP) já considerava as medidas de apoio ao retalho neste novo confinamento geral insuficientes, as novas restrições anunciadas hoje por António Costa tornam mais evidente essa fragilidade.
"Como estas medidas vão ser mais restritivas se já pensávamos que, apesar de positivos, os apoios eram insuficientes, neste momento vai ser mais claro que são insuficientes. Até porque com os números que se apresentam não sabemos quantas vezes vai ser renovado o Estado de Emergência com estas medidas", reage João Vieira Lopes, presidente da CCP, em declarações ao Dinheiro Vivo.
"Há uma lacuna nas medidas, em geral positivas, provavelmente terão de ser reforçadas, mas praticamente não há nada na área fiscal. Nessa área devia haver um conjunto de medidas que facilite a tesouraria das empresas. Não basta ir pegar empréstimos. E até nas linhas de empréstimo temos de ver qual a flexibilidade e articulação com a banca. Na primeira fase as linhas levaram muito tempo a serem efetivas. Iremos apresentar ainda este mês algumas propostas na área fiscal", adianta.
As medidas adicionais conhecidas esta segunda-feira não apresentam "grandes diferenças é mais um reforço das anteriores, a única é a proibição da venda do postigo, o que não é positivo para o comércio em geral e para a restauração em particular", comenta.
O retalho terá de fechar às 20h durante a semana e às 13h no fim-de-semana (os super podem fechar às 17h), mas ainda assim é "um período de abertura razoavelmente grande".
"Os empresários do comércio, dos serviços e da restauração estão sempre um pouco preocupados são sempre eles que enfrentam a primeira linha mas não percebem o que se passa no resto da economia", refere.
"Gostávamos que o Governo nos apresentasse a nós e ao país como está a transmissão da pandemia em toda a economia. Percebemos que tem a porta aberta para a rua sofre o primeiro impacto, na medida em que há ajuntamentos de pessoas etc., mas estávamos de saber como é que as coisas estão a correr nos outros sectores da economia", diz.
E faz sentido nas atuais circunstâncias manter as escolas abertas?
"Queremos ter o máximo de informação possível, mas sobre medidas de saúde pública elas são da responsabilidade do Governo, a nossa preocupação é qual o efeito nas empresas e como se pode mitigar esse efeito", diz apenas Vieira Lopes.
O presidente da CCP mostra-se "perplexo" com o facto de ainda não ter sido determinada a vacinação dos altos dignatários do Estado. "Continuamos perplexos que um plano para garantir o funcionamento normal do Estado aos altos dignatários do Estado não são vacinados. É uma cedência ao populismo que não tem qualquer sentido. Esperaríamos que o Conselho de Ministros tivesse tido a coragem de avançar nesses pontos."