O governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, afirmou esta quarta-feira que, em termos de perspetivas para a evolução da economia portuguesa, "há mais incerteza sobre o curto prazo, fevereiro e março, do que para o final deste ano", devido ao impacto esperado do confinamento implementado no país.
Mas o governador disse que não espera que o atual confinamento leve a uma queda do Produto Interno Bruto (PIB) português tão profunda como a descida de 16% registada no primeiro trimestre de 2020. Segundo Centeno, os indicadores de janeiro não apontam para uma quebra "dessa grandeza".
Adiantou, em entrevista à RTP3, que só no final de 2022 a economia portuguesa só deverá voltar a registar um crescimento trimestral em linha com o registado em 2019, antes da crise sanitária.
"Temos todas as condições para poder ter esperança nessa recuperação, até porque os fundos (...) estarão disponíveis", afirmou.
Lembrou que esta é uma "crise que é temporária" e não uma crise estrutural.
Defendeu que "as políticas devem ser focadas onde a crise hoje se sente", dado que o seu impacto "não é igual em todos os seus setores".
"A política monetária não é a mais indicada para fazer isto" mas sim "as políticas orçamentais", indicou.
Centeno referiu que "a economia tem respondido às várias vagas" da epidemia " de forma bastante positiva e que todas as estimativas têm sido revistas em alta. Observou ainda que, em todos os "desconfinamentos, a reação da economia foi automática e foi muito forte".
O governador lembrou que o Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou ontem uma revisão em alta das suas estimativas para o crescimento da economia mundial.
Recordou ainda a importância do "ambiente de tomada de decisão na Europa, que teve uma enorme transformação, a partir do momento em que a Europa emitiu dívida comum", em 2020.
Sobre a situação em torno da dívida pública portuguesa, que tem vindo a aumentar, Centeno defendeu que deve descer. "Portugal deve reiniciar a trajetória da dívida num plano decrescente", disse o governador.
O governador alertou também que "não podemos deixar que (a crise económica) passe a crise financeira. "Temos que estar muito atentos e vigilantes nessa dimensão, esse risco está sempre latente", avisou.
A posição de Centeno está em linha com o alerta feito na quarta-feira pelo FMI, que pediu medidas para impedir que se materializem os riscos de haver uma nova crise financeira.
Atualizada às 00H37 com mais informação