Há duas peças que Ricardo Vieira, intérprete do património do Centro de Interpretação da Escultura Românica (CIER), recomenda a quem visita o espaço: a escultura "Boi", produzida pelo artista plástico Bordalo II através do reaproveitamento de lixo, e que faz uma reinterpretação contemporânea da estética românica e a última sala do centro de interpretação, onde é possível conhecer peças através da exposição de objetos físicos e objetos projetados. Juntamente com o Centro de Interpretação do Românico, em Lousada, o CIER permite conhecer melhor os 58 monumentos, distribuídos por 12 municípios dos vales do Sousa, Douro e Tâmega que fazem parte da Rota do Românico.
"Um centro de interpretação não é um museu. Um centro é um local que nos permite conhecer uma temática e um museu é um espaço para conhecer peças", afirmou ainda Ricardo Vieira.
A inesperada descoberta arqueológica, em 2006, aquando dos trabalhos do arranjo urbanístico do Centro Cívico de Abragão (Penafiel), de cerca de 70 elementos pétreos com decoração românica, esteve na génese da criação do Centro de Interpretação da Escultura Românica, sob iniciativa da Rota do Românico.
Foram encontrados capitéis, bases, aduelas e fustes pertencentes a um portal que, pela dimensão e quantidade, permitem aos especialistas considerar tratar-se do antigo portal principal da Igreja de Abragão. As peças escultórias encontradas - capitéis com animais afrontados, palmetas tratadas a bisel, aduelas esculpidas com motivo de círculos secantes - aproximam-se das que se podem ver nas Igrejas de São Gens de Boelhe e do Salvador de Paço de Sousa, ambas em Penafiel.
Aberto ao público em 25 de julho de 2020, este centro de interpretação oferece também ao visitante a possibilidade de conhecer o contexto temporal, social e cultural da arte românica, destacando a importância dos pedreiros e escultores na sua materialização.
O CIER é constituído por uma superfície expositiva de cerca de 300 metros quadrados, distribuída por seis espaços temáticos (A Escultura Românica; Símbolos e Significados; Pedreiros e Escultores; Igreja de Abragão; Portal de Abragão; Nave/ /Projeção), num percurso que concilia as novas tecnologias com objetos e conhecimentos únicos, permitindo ao visitante a possibilidade de conhecer o contexto temporal, social e cultural da arte românica, destacando a importância dos pedreiros e escultores na sua materialização.