CEO da Altice Portugal: "Não está em cima da mesa nenhum programa Pessoa"

Numa altura em que dezenas de milhares de empregos estão a ser eliminados nas empresas da indústria tecnológica, Ana Figueiredo, a propósito da nova estratégia da dona da Meo, assegura não ter planos para cortar empregos.
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Apesar do movimento global entre as empresas ligadas à indústria tecnológica para a eliminação de dezenas de milhares de empregos, por cá, a presidente executiva da Altice Portugal afirma que a telecom não pretende despedir trabalhadores ou avançar com programas de saída por mútuo acordo, neste momento. Pelo contrário, Ana Figueiredo defende que o desafio, agora, é rejuvenescer a empresa e adaptar o know-how dos trabalhadores a novas necessidades.

"Não está em cima da mesa nenhum programa Pessoa", garantiu Ana Figueiredo. A afirmação da líder da Altice Portugal foi dada aos jornalistas, na quinta-feira, após ser questionada se podia dar garantias de que a empresa não voltaria a lançar um programa de saídas voluntárias ou a optar por um despedimento coletivo, face à atual tendência internacional de lay-offs nas empresas tecnológicas. A questão surgiu após a apresentação da nova estratégia da dona da Meo até 2030, cujo um dos eixos visa, precisamente, a atração e retenção talento.

A resposta da gestora aludia aos movimentos de reestruturação que a empresa lançou em anos anteriores. Nos últimos cinco anos, a Altice Portugal avançou com dois programas Pessoa (rescisões por mútuo acordo para trabalhadores com mais de 50 anos) - um em 2019 e outro em 2021 - e um processo de despedimento coletivo. Ao todo, terão saído da empresa mais de 2000 pessoas.

"O que nós temos é um programa Pessoa que aposta em competências", prosseguiu a CEO da dona da Meo. "Nada do que fizemos no passado vai conflituar com o que queremos para o futuro", referiu, notando que o desafio passa por "rejuvenescer" a população laboral e "apostar em novas competências", devido a alterações de contexto.

Segundo o plano estratégico apresentado, no que toca aos recursos humanos, os objetivos passam pela renovação de competências dos trabalhadores, à medida que se investe no rejuvenescimento dos quadros. Estão em cima da mesa, por isso, mais parcerias com escolas e universidades, formações profissionais do tipo upskill e reskill, "triplicar" para 150 o número de jovens talentos recrutados através do programa Darwin e, ainda, alavancar a presença das mulheres nos cargos de chefia. Quanto a contratações efetivas em 2023, a empresa não divulgou planos.

"A Altice Portugal pela sua magnitude acaba por ser o reflexo de Portugal: 75% dos nossos trabalhadores têm mais de 40 anos e isso é um reflexo de todo o país e é normal que tenhamos necessidade de um rejuvenescimento, mas também de competências para acompanhar a evolução", argumentou.

A gestora sublinhou, nesse sentido, que as empresas "são orgânicas e que se vão adaptando às necessidades do ponto de vista da evolução e de reskilling das suas organizações e pessoas".

Durante a apresentação da nova estratégia, Ana Figueiredo salientou que existe um problema demográfico na Europa, o que também influencia a escassez de profissionais e contribui para uma "guerra de talentos". "Não só temos uma escassez de pessoas, mas também uma escassez das competências que necessitamos do ponto de vista do digital", referiu.

Por isso, por uma questão de necessidade, a Altice também quer atrair para Portugal trabalhadores estrangeiros. "Queremos atrair para a Altice Portugal talento internacional", disse.

De acordo com a CEO da Altice Portugal, o novo plano evidência "um novo ciclo". "Hoje somos uma empresa bem mais sólida do que éramos há oito anos, quando a Altice comprou a Portugal Telecom", considerou, notando que a dona da Meo gera 49% das receitas do setor em Portugal, liderando o mercado nos negócios da rede fixa e móvel e televisão.

Desde 2017, garantiu Ana Figueiredo, o grupo Altice Portugal passou de nove mil trabalhadores diretos e indiretos, para 15 mil, incluindo novas empresas no grupo como a Meo Energia, Meo Blueticket, Geodesia, FastFiber e Intelcia. Contabilizando o negócio de call centers da Intelcia em Espanha, que inclui a Unisono, o número global de trabalhadores do grupo Altice Portugal sobe para 20 mil.

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