A porta da rua está entreaberta desde dezembro, altura em que foi conhecida a polémica indemnização de meio milhão de euros paga a Alexandra Reis. Depois de a antiga secretária de Estado do Tesouro ter deixado o governo, na sequência do escândalo, seguiram-se o antigo ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, e o seu secretário de Estado, Hugo Santos Mendes.
O cerco começou a apertar-se para a gestora francesa que tem sido apontada como a próxima a assumir as consequências do cheque dado a Alexandra Reis para deixar a companhia. Mas a CEO da TAP tem fincado pé, afastando qualquer intenção de deixar a cadeira vazia e remete o futuro para as conclusões finais do relatório da Inspeção Geral de Finanças (IGF).
"A minha missão foi definida pelo governo. Não me compete a mim responder a esta questão [sobre se deverá deixar a TAP]. Só estou focada no meu trabalho e em entregar resultados", garantiu esta quinta-feira, 02, Christine Ourmières-Widener, à margem de uma apresentação da transportadora aérea na BTL.
"Não creio que as consequências sejam minha decisão, é importante esperar pelo resultado do relatório final", acrescentou.
Questionada sobre as declarações de Marcelo Rebelo de Sousa, que pediu consequências de todo o processo, a presidente executiva reforçou que será a IGF a definir o veredicto final. "O Presidente da República tem o direito de pedir consequências mas estas estarão aliadas às conclusões do relatório que ainda não foi conhecido", ressalvou, atestando que irá " seguir as recomendações" que resultem da análise da IGF.
Já relativamente à comissão parlamentar de inquérito (CPI) à tutela política da gestão da TAP, a CEO mostrou-se disponível para colaborar e ceder aos pedidos de esclarecimentos que sejam solicitados, garantindo que "não há nada a esconder".
"Cumpriremos o nosso dever. Vamos cumprir o processo, não há nada que estejamos a esconder. [A TAP] É uma empresa nacional, temos deveres de transparência,de compliance e de governance. e iremos fornecer todos os documentos que tenhamos de fornecer", prometeu.
Recorde-se que a CPI aprovou ontem os documentos solicitados pelos vários grupos parlamentares à empresa e às restantes entidades envolvidas. O pedido de documentação será eviado ainda esta semana, através de correio, e os visados dispõem de 10 dias para fazer chegar as informações solicitadas.
Atualizada às 17h50