O inspetor-geral de Finanças (IGF), António Ferreira dos Santos, reiterou que apenas Pedro Nuno Santos e Hugo Mendes, o então ministro das Infraestruturas e da Habitação e o seu secretário de Estado, sabiam do acordo para a saída de Alexandra Reis da TAP, que previa o pagamento de uma indemnização de meio milhão de euros, reforçando que nenhum outro membro do governo tinha conhecimento dos meandros desta saída.
António Ferreira dos Santos, que está esta quarta-feira, 29, a ser ouvido na Comissão Parlamentar de Inquérito à Tutela Política da Gestão da TAP (CPI) assegurou que tanto Pedro Nuno Santos e Hugo Mendes "sabiam do acordo".
Questionado sobre se o Chief Financial Officer (CFO) da TAP, Gonçalo Pires, esteve envolvido no processo de saída da administradora da transportadora aérea, o inspetor-geral garantiu que não, tendo a negociação "ocorrido à margem do conselho de administração e da comissão executiva".
A IGF considerou que o depoimento de Gonçalo Pires "não era relevante" motivo pelo qual não foi anexado no relatório final divulgado. António Ferreira dos Santos remeteu ainda para o Tribunal de Contas o apuramento da responsabilidade de Gonçalo Pires no conhecimento da indemnização de 500 mil euros.
A pedido do deputado do PSD, Hugo Carneiro, António Ferreira dos Santos leu no Parlamento a ata da reunião com o CFO, que decorreu a 25 de janeiro, na qual está escrito que Gonçalo Pires "refere que não esteve envolvido no processo, no acordo e muito menos sabia dos valores [da indemnização]".
O documento refere que o administrador financeiro da companhia aérea "desconhecida razão da saída" de Alexandra Reis embora esta "não tenha sido uma surpresa". Na ata dos esclarecimentos prestados pelo administrador financeiro da TAP e a IGF estão ainda descritas algumas situações que Gonçalo Pires enumera como justificação para a tensão entre a CEO e a administradora.
Uma das quais respeita ao facto de Alexandra Reis ter discordado das projeções feitas para o verão de 2022, considerando que estas eram "demasiado otimistas" opinião dada no âmbito de uma discussão sobre a reformulação do plano de reestruturação. Ainda assim, a antiga administradora não votou contra.
As audições da CPI à TAP arrancaram esta quarta-feira com a estreia de António Ferreira dos Santos, o primeiro a ser ouvido pelos deputados, numa lista de 60 nomes que passarão pelo Parlamento durante as próximas semanas. Amanhã será a vez de Gonçalo Pires prestar esclarecimentos.