Nascida em Guimarães, a Kyaia cresceu 10% em 2022 e chegou aos 25 milhões de euros de faturação, mas Fortunato Frederico, fundador do grupo que detém a Fly London e a Softinos, admite que chegar aos 100 milhões vai demorar mais do que previsto. A meta foi desenhada em 2013, quando vendia 56 milhões. O plano era duplicar numa década, mas nem tudo correu bem. "2022 foi bom. Estávamos em fase de recuperação e crescemos 10% face ao ano anterior, mas ainda não chegámos a valores de 2014/15", diz o empresário.
Se a maioria aponta o dedo à pandemia, Fortunato Frederico diz que a covid só veio "tirar o testo à panela". "As vendas têm vindo a cair, lenta mas inexoravelmente, desde 2015, mas chegaremos aos 100 milhões. A crescer 10% ao ano, se calhar precisamos de mais sete ou oito", diz, reconhecendo que 2021 representou o "ponto mais baixo de sempre". E que coincide com o fecho de grande parte da rede de sapatarias Foreva: entre o fim da pandemia e a divergência face aos contratos de arrendamento nos shoppings, das 80 restam 30, com o número de trabalhadores do grupo a encolher de 620 para 400.
Perspetivas para 2023? Frederico reconhece que a falta de mão de obra é um problema, a par dos efeitos da inflação nos custos, designadamente energéticos, agora que a falta de matérias-primas "amenizou um pouco". "Não há pessoas para a atividade fabril. Se não tivéssemos alguns imigrantes, sobretudo venezuelanos a trabalhar no polo de Paredes de Coura, estávamos em maus lençóis", garante.
Sem querer falar em sintomas de retração na procura, admite já que "não há aquela loucura [de trabalho] de antes", que obrigou o grupo a subcontratar "muita coisa" fora - como as gáspeas (parte superior do sapato, que é cosida ou colada à sola), que vêm da Índia.
A jornalista viajou a convite da APICCAPS.