O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês pediu à Holanda que não bloqueie o acesso pela China a tecnologia avançada necessária para o fabrico de semicondutores, durante um encontro com o homólogo holandês..A frustração de Pequim com as restrições impostas pela Holanda, Estados Unidos e Japão no acesso a alta tecnologia aumentou as tensões políticas..Não há indicação de que os Países Baixos estejam a planear afrouxar os rígidos controlos impostos sobre as exportações para a China de tecnologia que usa luz ultravioleta para gravar circuitos nos "chips" de memória mais avançados..A firma holandesa ASML é o único fornecedor global deste tipo de tecnologia..O governo dos Países Baixos proibiu a empresa de exportar algumas das suas máquinas para a China em 2019, mas a empresa ainda vendia sistemas de litografia de qualidade inferior ao país asiático..A falta de acesso a estas ferramentas está a atrasar os esforços chineses para desenvolver semicondutores para telemóveis, sistemas de inteligência artificial e outras tecnologias cruciais para as indústrias do futuro, mas que também têm implicações militares.."Quanto à questão das máquinas de litografia, a China tem sérias preocupações sobre este assunto", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Qin Gang, em conferência de imprensa.."Devemos trabalhar juntos para proteger conjuntamente a ordem comercial normal entre os nossos países, as regras do comércio internacional e manter a estabilidade nas cadeias industriais e de fornecimento globais", explicou.."Partilhamos [com a parte chinesa] as nossas preocupações com a segurança nacional", disse o ministro holandês, Wopke Hoekstra. "Eu, é claro, ouvi com atenção o que [Qin Gang] disse, e esse é um assunto sobre o qual continuaremos a dialogar", explicou..Pequim parece estar a tentar melhorar as relações com os governos europeus, visando possivelmente enfraquecer a aliança com Washington..Analistas políticos sugeriram que esse desejo motivou a decisão de Pequim de nomear um enviado para discutir uma possível solução para a guerra na Ucrânia..A iniciativa dá ao governo do Presidente chinês, Xi Jinping, uma chance para atenuar as críticas ocidentais motivadas pela sua aproximação ao homólogo russo, Vladimir Putin..Qin pediu paciência enquanto o enviado, Li Hui, visita os governos europeus para discutir um possível "acordo político"..Hoekstra, que também é o vice-primeiro-ministro dos Países Baixos, disse que conversou com Qin sobre a guerra, mas não deu mais detalhes.."A agressão da Rússia contra a Ucrânia deve parar e a Europa e a Holanda vão continuar do lado da Ucrânia pelo tempo que for necessário", assegurou..Qin tentou minimizar os receios suscitados pela ascensão da China.."O que a China exporta é oportunidade, não crise", garantiu. O ministro chinês reclamou do "fenómeno anormal" e "exagerado" motivado por "departamentos de inteligência" não especificados.."Estas acusações estão a ser exageradas pela imprensa", disse Qin. "O resultado é que isto corrói o apoio popular à amizade entre os nossos dois países", descreveu.