Chineses negoceiam aluguer de terras na Sibéria para agricultura

A Huae Sinban, empresa agrícola chinesa, está a negociar com as autoridades da Sibéria o aluguer de 115 mil hectares de terra - o equivalente à área de Hong-Kong - para agricultura e criação de gado, negócio que pode valer perto de 400 milhões de euros.
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O governador do Transbaikal, região russa que faz fronteira com a China e a Mongólia, confirma que já foi assinada uma "carta de intenções" com os chineses, que pretendem arrendar a terra durante 49 anos, devendo o negócio ser finalizado no próximo ano. O acordo prevê a criação de mil empregos para locais e chineses que ficarão encarregados de cultivar cereais, oleaginosas, forragens e ervas para uso farmacêutico, e criar aves, carne e leite.

Uma economista da Universidade Estatal de Moscovo entrevistada pela BBC, Natalya Zubarevich, considera "impraticável" arrendar uma área tão vasta de terra para agricultura, uma vez que o solo, num clima tão árido, necessitaria de muito trabalho. "Os girassóis não crescem naquela região" e "há poucas pastagens, devido ao clima árido continental", afirmou.

Apesar de representar pagamentos nominais baixos, a rondar cerca de 4 euros por hectare, por ano, o investimento poderá ter maior repercussão nos laços entre Moscovo e Pequim, outrora inimigos. "Não há outra forma de atrair investimento chinês além do arrendamento de terras", explicou Vladimir Ilkovsky, um especialista na China do Instituto de Relações Internacionais de Moscovo.

Há um mês, a Rússia e a China acordaram na criação de um fundo comum de investimento no valor de 1,8 mil milhões de euros para desenvolver projectos agrícolas em ambos os países, criando uma zona de comércio livre entre as principais regiões agrícolas dos dois países .

Em maio do ano passado, a Rússia fechou um negócio de gás com a duração de 30 anos no valor de 350 mil milhões de euros com a China. Foi também assinado um acordo para um segundo gasoduto entre a Sibéria Ocidental e o noroeste da China. O primeiro gasoduto entre as duas potências, recorde-se, foi inaugurado em 2010, apenas 18 anos depois da primeira visita de Boris Yeltsin à China ao fim de décadas de tensão. Em 2009, assinaram mais de 40 contratos de valor superior a 2,6 mil milhões de euros.

Na sequência das sanções económicas impostas pelo Ocidente devido ao conflito ucraniano, a Rússia tem vindo a virar-se para Oriente em busca de investimento. Vladimir Putin encontrou-se com o presidente chinês Xi Jinping pelo menos cinco vezes no último ano e ambos se descreveram mutuamente como "bons amigos".

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