Código de Barras. As linhas paralelas que mudaram a distribuição

O sistema de leitura faz hoje 30 anos. Mais de metade das empresas em Portugal tem o código de barras implementado. Próximo passo? PME e o sector da saúde.
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É o som que mais ouve quando chega à caixa de supermercado. O beep, beep do código do código de barras faz hoje 30 anos. Três décadas que mudaram a forma como compramos e como as empresas se organizam.O seu impacto foi profundo. Tem dúvidas?

"Basta pensarmos, o que seria registar diariamente e à mão as 40-60 mil referências de artigos nos lineares de um hipermercado? No mínimo moroso", exemplifica João de Castro Guimarães, diretor executivo da GS1 Portugal, a entidade que introduziu o código de barras em Portugal.

Nos dias de hoje seria impossível manter as formas de controlo de stock e de trabalho da mercearia familiar. Os números do sector da distribuição moderna dão disso conta. O ano passado foram vendidos quase 19 mil milhões de euros, segundo os dados da APED. Ou seja, um volume de produtos que gerou receitas representativas de cerca de 11% do PIB nacional. Imagina o tempo que levaria nas filas até ser feito manualmente o registo do preço nas caixas de supermercado?

Hoje encontra o código de barras por todo o lado. Na lata de refrigerante, passando pelo pacote de massa, até os livros e jornais, praticamente todos os produtos exibem uma barra de linhas paralelas que na caixa faz beep, beep. Só na associação estão 7.500 empresas de 20 sectores de atividade, o mais representativo é o retalho (80% das empresas, das quais 50% da indústria agro-alimentar), seguida do Do it yourself e materiais de construção (7%) e empresas químicas e têxteis (cerca de 4%). Geram um volume de faturação que representa 50% do PIB. "Falta-nos chegar aos outros 50% do PIB, em especial às Micro e Pequenas e Médias Empresas (PME) - a maioria das quais continua à margem destas soluções e da própria economia digital", diz João de Castro Guimarães. É, aliás, este o foco da associação nos próximos cinco anos.

Código de barras no sistema de saúde?

Há outros dois sectores onde o código de barras encontra uma barreira: a Administração Pública e Saúde. Um uso  mais massificado do código de barras no sector da saúde traria enormes benefícios, argumenta João de Castro Guimarães. "É um sector que lida com vidas humanas e onde a replicação da experiência de rastreabilidade conduziria a uma maior segurança do paciente e a uma redução substancial da factura com o Serviço Nacional de Saúde", defende. Apesar dos "inúmeros benefícios" e da adopção da norma GS1 (do código de barras) exigir "níveis de investimento relativamente baixos", o "regulador insiste em desenvolver uma solução fechada e de âmbito local".

João de Castro Guimarães fala de poupanças expressivas para o Estado com esta adopção. Um estudo realizado pela consultora Augusto Mateus & Associados, conhecido em junho de 2014, concluiu que "a adoção de standards globais apenas em dispositivos médicos poderia conduzir a poupanças a dez anos para a economia entre 561 milhões de Euros sem serialização e 791 milhões de Euros com serialização." E não só. A utilização dos códigos de barras em medicamentos "reduz em mais de 40% os erros de medicação".

Mas há unidades de saúde onde o sistema já foi implementado. O Centro Hospitalar Lisboa Norte - que inclui o Hospital Santa Maria e o Pulido Valente - ou a Lusíadas Saúde, por exemplo, introduziram o scanning à cabeceira do paciente, permitindo a leitura de todo o processo hospitalar, da admissão do paciente até à alta médica.

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