Com este Youtuber, há sempre remedy para tudo

Há muito Fifa 15, mas também Pokémon, amiibos e Super Smash Bros no canal de YouTube de Ruben Remédios, mais conhecido como Mr. Remedy. Com 277,326 subscritores no TheRemedyChannel, é o 15º Youtuber mais popular em Portugal, de acordo com o ranking Social Blade, e relançou há um mês o segundo canal The Remedy News. Esteve em Los Angeles para participar na Electronic Entertainment Expo (E3), a convite da Ubisoft Espanha, realizando um sonho antigo de participar na maior feira da indústria. O Dinheiro Vivo falou com ele lá.
Publicado a

"O que mais me surpreendeu foram jogos que infelizmente ainda não podemos jogar este ano, como "The Last Guardian"", revela Remedy. "Na altura em que ele foi re-anunciado eu soltei uma lágrima, que voltou a descer quando foi anunciado o Final Fantasy VII, o remake de um jogo que já saiu há 20 anos e do Shenmue III, que em menos de 24 horas ultrapassou os 2 milhões de dólares pedidos no Kickstarter."

Tal como Fer0m0nas, o maior Youtuber português, Remedy acredita que a Sony levou a dianteira nesta edição da E3 e que o anúncio de retrocompatibilidade de jogos na Xbox One não teve o mesmo impacto. "Tenho uma Xbox 360 mas não iria comprar uma Xbox One para jogar os jogos da 360, quero jogos novos", justifica.

Quanto à Nintendo, marca da qual é fã assumido, sentiu que foi abaixo do esperado. "Não falaram de nada de que eu não estivesse já à espera, Star Fox Zero, Mario Tennis, mais um jogo Mario e Luigi, um jogo cooperativo da Legends of Zelda, essa sim uma boa novidade, mas não anunciaram nada de bombástico como a Sony fez três vezes na mesma conferência."

Youtuber acidental

Ser convidado para ir à maior feira da indústria de videojogos é o culminar de um esforço que começou há quatro anos e que teve vários altos e baixos.

O canal começou em 2011 com uma paródia musical ao ataque de piratas à PlayStation Network, da Sony. Estava a trabalhar como jornalista de videojogos em part-time para a MyGames, depois de se licenciar em Ciências de Comunicação, e começou a gravar o seu "gameplay" e a pô-lo no YouTube para se entreter. Acabou por fechar contrato com a rede de conteúdos Machinima e investiu no seu canal, que lhe valeu quando o MyGames fechou no final de 2012.Chegou aos 100 mil inscritos no ano seguinte - muito por culpa de uma série de Minecraft - e isso rendeu-lhe um contrato de publicidade com a WTF, marca da NOS, que no entanto se revelou negativo para o canal. "Não consegui dedicar-me a 100% nem a uma nem a outra coisa", admitiu, referindo que se pudesse voltar atrás tinha recusado o contrato. As coisas começaram a correr melhor no ano passado e Remedy entrou definitivamente no radar como Youtuber, sendo convidado para apresentar o Curto Circuito na SIC Radical e para fazer um anúncio à PlayStation 4. Já este ano, passou pelo "5 para a meia-noite" e venceu a competição europeia no evento de Bloodborne, em Londres. A ida à E3 era um sonho antigo."Estar mesmo no terreno a conhecer os jogos e as pessoas que os desenvolveram e a paixão que elas colocam em cada projeto é realmente importante. Temos uma maior noção do trabalho que dá e do quanto eles investem para fazer deste mercado dos videojogos o melhor mercado do ramo do entretenimento", diz ao Dinheiro Vivo. Os números comprovam o que Remedy diz: este ano, o mercado de videojogos vai superar as receitas da indústria do cinema a nível mundial, 81,8 conta 79 mil milhões de euros. Há muito que deixou de ser um nicho.

Realidade virtual

Esta foi a primeira vez que Remedy testou óculos de realidade virtual, que esteve em grande na E3 2015. Numa sala privada, testou algumas demos do Project Morpheus, o sistema que a Sony está a ultimar para lançar na primeira metade de 2016, e dá a sua opinião.

"É um aparelho que assenta bem na cabeça e não pesa, é uma experiência que nós enquanto "gamers" podemos ter durante minutos ou se calhar horas a fio e é importante não interromper a experiência a cada cinco ou dez minutos por causa do peso ou porque não é muito ergonómico", explica. "Há vários jogos que estão a ser desenvolvidos, que é o que realmente importa, e o "London Heist" que experimentei funciona super bem. Com um Move em cada mão, fazemos aquilo que nos der na real gana e é muito divertido", resumiu.

A demo de "Kitchen" mete zombies e foi bem mais assustadora. "Eu sou uma pessoa que se borra com facilidade e como tal foi uma experiência interessante", brinca. "Ter medo acontece mesmo fora do universo da realidade virtual, quando vemos um filme de terror, quando ouvimos alguma coisa fora da nossa zona de conforto." Acredita que a tecnologia se vai desenvolver a ponto de provocar sensações de toque - o que no caso daquela demo com uma zombie enfurecida é capaz de provocar ataques de pânico. "Tendo em conta que isto é o mais real que temos, acho que toda a gente se vai sentir incomodada, a experiência é cada vez mais próxima do que iríamos ter na realidade", conclui.

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt