O dia 11 de fevereiro, em que se assinala o Dia Internacional das Mulheres e Raparigas na Ciência, começou a ser celebrado apenas em 2015, pela ONU, o que mostra que foi apenas há sete anos que o papel das mulheres na ciência e na tecnologia ganhou poder e relevância. As mulheres ainda estão sub-representadas nas tecnológicas, contudo a sua presença nos quadros pode aumentar em 30% os resultados da empresa. Como impactar a liderança das organizações do mercado tech? Com uma melhor representação de todos os géneros, culturas e backgrounds.
Os benefícios de uma equipa e liderança diversificadas são vastos, com vantagens para a empresa e para os seus profissionais. O facto de trabalharmos com pessoas com diferentes culturas e experiências desafia-nos a ultrapassar as formas de pensar obsoletas e melhorar o desempenho. Se pensarmos em termos individuais, as vantagens são as mesmas: beneficiar de um melting pot de colegas, profissionais, mentores, e formas de trabalhar.
Vários estudos (BCG, McKinsey) indicam que empresas com chefias diversificadas superam a performance de empresas com chefias maioritariamente masculinas. A Volkswagen Digital Solutions acaba de ganhar os prémios de uma das melhores empresas tecnológicas para se trabalhar, bem como de melhor liderança. Enquanto grupo, temos uma clara estratégia de diferenciação das demais pela força que damos às equipas. No Software Development Center, uma das três tech units da Volkswagen Digital Solutions em Lisboa, adotamos e tiramos proveito de uma flat hierarchy (quando existem poucas posições de gestão intermédia entre a equipa e a liderança) onde a inovação pode acontecer mais rapidamente, uma vez que há maior tomada de decisão individual.
Preocuparmo-nos verdadeiramente com a equipa e com as pessoas, criar relações de proximidade, abertura e honestidade, são alguns dos passos (e desafios) que levam ao impacto positivo das empresas e, sobretudo, das tecnológicas. Como sabemos, a retenção de talento é um dos grandes "calcanhares de Aquiles" das tech, e uma comunicação clara entre todas as partes pode realmente ser a resposta para o bom funcionamento das equipas, e para a captação de talento feliz. E esse é, aliás, um dos maiores turning points, comum a vários líderes - a comunicação; comunicar de forma eficaz, com a preocupação de que aquilo que se está a dizer é entendido pelos outros, sobretudo numa fase de distanciamento social e de viragem de muitas empresas para o trabalho remoto.
Apesar do meu percurso académico e profissional em engenharia, nunca tive uma figura de liderança no feminino ou um modelo a seguir que me inspirasse nas áreas de IT, onde me especializei. Por isso, é preciso que venham mais mulheres para o setor para mudar esta conjuntura, para que as raparigas que irão ser a força de trabalho no futuro beneficiem de mais exemplos diversificados de percursos e profissionais. Uma das formas que na Volkswagen Digital Solutions temos desenvolvido para chegar a esse destino são as sessões de coaching para os Engineering Managers, onde o objetivo é o nosso desenvolvimento enquanto líderes e dotar-nos das ferramentas necessárias para executarmos o nosso trabalho.
A Portuguese Women in Tech, que diariamente promove e apoia mulheres nas tecnologias e trabalha na inclusão e diversidade, é um exemplo dessas práticas. O grande objetivo é atrair um maior número de raparigas para as tech ao mesmo tempo que quer dar mais destaque a mulheres líderes, já que apenas 17% das startups têm mulheres fundadoras.
O desafio agora consiste em sermos nós, que já trabalhamos na área da ciência e tecnologia, role models para impactarmos os futuros líderes, criarmos equipas dinâmicas e diversas e tirarmos partido da diferença.
Ana Machado, Engineering Manager na Volkswagen Digital Solutions