Como vai evoluir a engenharia de hardware nos próximos 10 anos?

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"Como é que os líderes de tecnologia e engenharia imaginam o desenvolvimento de hardware nos próximos 10 anos?" Esta era a pergunta de partida de um evento de dois dias, o Iteration22, organizado pela Valispace e que reuniu alguns dos mais importantes líderes em tecnologia e engenharia do mundo para partilharem as melhores práticas do desenvolvimento de hardware e software, ao mesmo tempo que eram apresentados alguns dos projetos de engenharia mais inovadores.

Destes dois dias de evento surgiram 5 formas de como a engenharia de hardware deve evoluir nos próximos 10 anos. Descubra-as abaixo:

Inteligência Artificial na engenharia

Ah, IA. A palavra que mais esteve na moda em 2010, muito mal interpretada, parece ter, no início desta década, passado do teórico para o prático - pelo menos na indústria do software. É estranho existir uma semana sem notícias que falem sobre como a Inteligência Artificial parece estar a mudar as indústrias criativas - mas, e no campo do hardware? Dan Brunner, do CFS, trata o assunto com uma mistura de ceticismo, na capacidade de se utilizar a IA no campo da fusão nuclear, hoje, mas com um aceno otimista em relação à sua aplicação positiva para o futuro, ao impulsionar o processamento e a compreensão dos dados. Livingston Holder, da Radian Aerospace, partilhou o seu próprio ceticismo sobre a Inteligência Artificial ser capaz de melhorar o seu projeto, apontando curiosamente para a falta de compreensão humana do problema da física para poder informar adequadamente os modelos de IA. Livingston referiu, porém, que a otimização do design aeroespacial será promovida pela IA, desde que se proceda ao julgamento e conhecimento de engenheiros e modelos de IA. Embora muitas vezes haja uma conversa alarmista de que a Inteligência Artificial acabará por assumir os empregos dos engenheiros, o CEO da Valispace, Marco Witzmann, oferece uma visão mais pragmática, vendo a IA como apenas mais uma ferramenta das várias utilizadas pelos engenheiros, em vez de fazerem o trabalho criativo e de pensamento por eles.

Capacidade computational para melhorar projetos de engenharia

Ligado aos desenvolvimentos em IA estão os avanços tecnológicos em hardware de computador e os saltos exponenciais no poder computacional que virão com ele. Livingston explica por que é que se encontra "realmente ansioso por isto" e como isto levará a uma maior produção de trabalho de engenharia em muito menos tempo. Dan, da CFS, também está "muito empolgado" com o que as melhorias no poder computacional podem fazer pela sua indústria e o desafio de gerarem uma fusão nuclear. Ele acredita que a verdadeira magia neste campo acontecerá quando combinada com os avanços na ciência dos materiais. Afastando-se um pouco da terra firme e de como as melhorias na computação melhorarão as máquinas que enviamos para o espaço, Daria Stepanova, CTO dos construtores de satélites German Orbital Systems, faz uma alusão a como isto poderia melhorar a gestão de constelações de satélites, o que poderia ter benefícios infindáveis ​​de comunicação e observação para todos os que vivem na Terra.

Impressão 3D para componentes de engenharia

Uma das questões escolhidas pelo moderador Marco Witzmann foi inspirada nos participantes do Iteration22, que escreveram num quadro interativo que viam a impressão em 3D como uma das coisas que poderia mudar o desenvolvimento de hardware nos próximos 10 anos. Ao contribuírem para este tópico, Livingston viu algumas limitações na sua capacidade de contribuir, de forma substancial, para o desenvolvimento de peças para a indústria aeroespacial, especialmente se considerarmos a escala necessária juntamente com as rigorosas normas de segurança que têm de ser cumpridas para cada componente que se encontra dentro de uma aeronave. No entanto, isto não impediu Livingston de se certificar dos aspetos positivos caso a impressão em 3D começasse a funcionar para o ambiente altamente exigente do desenvolvimento aeroespacial.

Código aberto para hardware / movimento de design aberto

Uma das coisas que realmente impulsionou o desempenho e a experiência do utilizador nas aplicações de software, na última década, foi o abraço da ideologia do software de código aberto. Na sessão de perguntas e respostas do painel da Iteration22, um membro da audiência perguntou se o conceito de 'open-hardware' poderia ser abraçado pelos engenheiros de hardware e se poderia acelerar o desenvolvimento e a inovação no mundo da engenharia. Dan Brunner, da Commonwealth Fusion Systems, deu a surpreendente resposta de que, de facto, existe toda uma secção do CFS que se dedica à inovação aberta. Muitas pessoas na audiência perceberam que a corrida para se ser o primeiro a descobrir, verdadeiramente, a fusão nuclear seria mantida por segredos altamente bem guardados. Saber que existe uma versão de colaboração e abertura neste setor é certamente algo que beneficia a humanidade como um todo. Daria Stepanova disse-nos que existe uma comunidade em expansão na indústria de satélites que partilham projetos e têm recursos para descarregar os operadores de pequenos satélites que podem ser utilizados nos seus próprios projetos comerciais. Ela mencionou, ainda que, de momento, esta comunidade é bastante pequena. A questão que se coloca é a seguinte: será que esta comunidade vai crescer de tal forma na próxima década, melhorando dramaticamente os desenhos que enviamos para o cosmos?

Pessoas

Tal como em toda a conferência, grande parte da conversa deste painel de discussão reverteu para as pessoas e para a importância de se organizar adequadamente os engenheiros para se tirar o máximo partido do desenvolvimento ágil de hardware. Em termos de talento que as empresas de engenharia precisam de atrair para as suas operações, Dan Brunner falou sobre a necessidade de se olhar para as diferentes indústrias por forma a garantir uma amplitude de conhecimentos especializados. Dan continuou também a dizer que uma vez contratadas estas pessoas, não importa de que indústria são, pois torna-se realmente importante dar-lhes a propriedade do sistema. Continuando com o tema da contratação, Livingston descreveu a diferença de recrutar pessoal entre ambientes empresariais rígidos e de um arranque mais ágil (e, sendo americano, fez uma analogia ao basebol como uma boa medida).

Falam-nos frequentemente das inovações de engenharia que serão eminentemente desenvolvidas, e que têm o potencial de assegurar tanto o futuro da humanidade aqui na Terra como da nossa capacidade de continuar a explorar o cosmos. Quer se trate de reatores de fusão nuclear para energia ilimitada, tornando a ciência no espaço mais acessível com veículos aeroespaciais orbitais reutilizáveis, ou combatendo a poluição com peixes robôs que comem plástico, o número de projetos e ideias inovadoras não mostram sinais de abrandamento ano após ano.

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