Aos 17 anos saiu de Portugal para estudar no Reino Unido e por lá ficou e trabalhou durante anos na área financeira. Com um currículo extenso, no qual se inclui a passagem por um dos maiores bancos digitais do mundo - o, à época, Egg -, Bruno Araújo tornou-se um especialista do crédito ao consumo. A vasta experiência no setor valeu-lhe um convite para ir acelerar a inovação do malaio CIMB, cujo nível de desenvolvimento se equiparava na altura "a um banco português dos anos 90".
O pretendido eram novas ideias, tendências e formas de pensar que fizessem recuperar o atraso face à Europa: "Falei-lhes dos comparadores. Ninguém que precise de um empréstimo quer andar de balcão em balcão para saber as condições. Quer, sim, ter a oferta reunida num só sítio, perceber qual a melhor opção e tomar uma decisão autonomamente", conta o empreendedor, em conversa com o Dinheiro Vivo.
O conceito de comparação não agradou aos asiáticos, mas a falta de recetividade não demoveu o português, que, em 2013, já estava a fundar a sua própria empresa de comparação no Oriente, a iMoney. Passados quatro anos e uma ronda de investimento de dez milhões de dólares, a plataforma, que se tornou uma das maiores do continente, captou o interesse de um investidor, que a adquiriu na totalidade por 30 milhões de dólares.
Em 2019, já de volta à terra natal e com capital próprio no bolso, Bruno Araújo criou a Comparamais para "ajudar os portugueses a comparar, aderir e poupar nos tarifários de eletricidade, gás e internet e a obter o crédito certo". Defendendo que os comparadores disponíveis no mercado "não têm um modelo de atendimento eficiente", o empreendedor tinha em mente acabar com a assistência por call centers e lançar um produto inteiramente automático.
"Para simular nos outros comparadores, os clientes têm de dar os seus dados para que, mais tarde, algum operador ligue, apresente as propostas e dê seguimento ao processo", explica o também CEO da startup. Embora tenha adotado o mesmo método inicialmente, em 2022, fruto do investimento da escandinava Lendo, conseguiu pôr o plano em prática e transformar a experiência do utilizador, possibilitando-o de fazer a simulação e ter, em questão de minutos, propostas de crédito ao consumo pré-aprovadas por parte das instituições financeiras parceiras, dispensando qualquer intervenção humana.
O negócio começou a ser desenvolvido junto das empresas "com mais fome de bola", diz o fundador, referindo-se a entidades como a Credibom, Cofidis ou Younited, que "querem comprar carteira" aos gigantes da banca. "Fomos trabalhando com estas companhias para fazer crescer o seu volume de negócios, para agora começar as conversações com os grandes", que, a certa altura, não conseguirão ignorar empresas como a nossa - "ou trabalham com elas, ou ficam ultrapassados". A startup diz estar em negociações com três bancos, ainda que a política de não emprestar dinheiro a quem não é cliente continue a constituir uma barreira, que pode demorar mais um ano para ser contornada.
Com ligação automática aos bancos desde dezembro do ano passado, a Comparamais, alimentada diariamente por uma equipa de 30 pessoas, registou logo no mês seguinte 75 milhões de euros em propostas, solicitadas por mais de dez mil clientes. Segundo o responsável, os bancos têm tendência a aprovar três em cada dez propostas - das que se efetivam, a plataforma cobra uma comissão, "que não representa custos para o cliente.
No que toca às perspetivas para 2023, a empresa revela estar a desenvolver produtos semelhantes para Energia, tendo como ambição tornar-se na "calculadora de bolso para todas as contas de casa dos portugueses" e triplicar o volume de negócios no país.