Compta avança para internacionalização na América Latina

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Depois de se ter lançado em Angola e Cabo Verde, a Compta está a estudar a entrada no México e no Brasil, revelou ao Dinheiro Vivo o presidente da empresa, Armindo Monteiro. A tecnológica portuguesa pretende abrir uma subsidiária no México que sirva como pólo de expansão na América Latina, algo que deverá acontecer a partir de 2013.

A empresa, que se viu envolvida em 2004 no escândalo do processo de colocação de professores, vai apostar no mercado exterior para contornar a recessão profunda do mercado português, onde não vai conseguir crescer este ano.

Em entrevista ao Dinheiro Vivo, Armindo Monteiro explica que a intenção da Compta é duplicar as receitas em 2014, chegando aos 60 milhões de euros. "Percebemos que não é possível estarmos apenas cá dentro", diz o empresário, que em 2005 adquiriu a empresa com Francisco Maria Balsemão.

Neste momento, as operações internacionais - que passam pela presença direta com subsidiárias em Angola e Cabo Verde e negócios no Qatar, Brasil, México, Peru e Moçambique - pesam apenas 12% do total de receitas. Dentro de dois anos, com a incursão na América Latina, esse peso vai mais que duplicar para 25%.

O que a administração de Armindo Monteiro fez na Compta desde o início do mandato é notável. Quando o processo de colocação de professores correu horrivelmente mal em 2004, o governo de Santana Lopes responsabilizou a Compta, a quem tinha encomendado o software.

As receitas da empresa caíram a pique, de 45 para 11 milhões de euros, e as ações deram um tombo gigante em bolsa. Armindo Monteiro e Francisco Maria Balsemão olharam para a oportunidade e compraram a empresa. Desde então, operaram uma total transformação na sua oferta - reduzindo o número de empresas de 15 para quatro e remodelando o tipo de serviços. Apenas 45% dos quadros permaneceu na empresa, que tem 220 colaboradores.

A marca Compta foi totalmente reabilitada e assume-se hoje como a mais antiga tecnológica portuguesa, no ano em que assinala o 40º aniversário. A empresa foi responsável, por exemplo, pela primeira linha interbancária do país. "Antes quando ia ao banco alguém tinha de pegar no telefone e ligar para a sua agência bancária", conta o presidente. A Compta fez com que o processamento de um cheque fosse automático.

Uma das áreas em que há hoje maior diferença é a da inovação: a Compta tem "uma equipa que está só a ver tendências. Se lhes perguntar o que se está a fazer na fibra óptica, ficará surpreendida." A empresa aderiu ao programa de estágios da Carnegie Mellon Portugal e está a tentar estreitar as relações com a academia. "Nas tecnologias, seis meses é uma eternidade", sublinha o empresário.

O problema é que o mercado português está de rastos, e embora o Estado represente apenas 10% a 15% dos negócios da empresa, há um efeito de arrastamento nos privados.

"Estamos a ter dificuldades", admite, embora garanta que há espaço para ganhar quota de mercado nalgumas áreas específicas - em especial nas empresas que estão a investir e têm visão. "Algumas empresas estão à espera que a crise passe. Há outras que já perceberam que não passa. Há empresas que vão sobreviver e crescer e outras não, porque basearam-se em modelos tradicionais."

Armindo Monteiro defende que o motivo de algum provincianismo na gestão (por exemplo, querer software estrangeiro porque "o que vem de fora é melhor") é a idade da democracia. "Somos empresários há apenas 30 anos. Nunca fomos formados para ser empresários", lembra.

"A internacionalização só foi feita à custa da presença hegemónica nas ex-colónias", sendo que "durante muito tempo tivemos as fronteiras protegidas." Confiante de que a especialização que tem vindo a fazer irá permitir sustentar a empresa durante a recessão, Armindo Monteira garante: "a crise dá-nos a oportunidade do ano zero."

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