Espécie de spin-off da casa-mãe global com o mesmo nome, a Junior Achievement (JA) está em Portugal desde o início dos anos 2000 e já se expandiu por todo o país. O seu objetivo é contribuir para criar a mais bem preparada geração jovem seguinte, sempre e continuamente. E para isso procurou rodear-se de parceiros estratégicos que a ajudassem a concretizar a sua missão em todo o território e ilhas, um dos quais foi, quase logo desde o início, o então Santander Universidades - e mais recentemente, desde que foi lançada, a Fundação Santander. O Dinheiro Vivo falou com Gonçalo Duque, diretor executivo da Junior Achievement Portugal para ficar a saber melhor o que é e o que pretende esta ONG.
Qual é a missão da Junior Achievement Portugal e há quantos anos existe?
A Junior Achievement Portugal foi fundada em 2005, é uma organização sem fins lucrativos e é a congénere portuguesa da Junior Achievement, uma das maiores e mais impactantes ONG dedicadas à educação e ao empreendedorismo. Temos como missão inspirar e preparar crianças e jovens para o futuro, promovemos o empreendedorismo consciente e inclusivo, através de programas desenhados para a criação de competências, desenvolvendo nos alunos, do 1.º ano [ciclo] até ao Ensino Universitário, uma atitude e mentalidade empreendedoras, contribuindo para uma mudança positiva e sustentável.
Quais são as escolas intervencionadas? Como é feito o processo de escolha?
Desde 2005, temos cerca de 32 000 escolas pelo país: 440 000 alunos já foram impactados. Na verdade, as escolas é que se inscrevem nos nossos programas, indo ao nosso site, às nossas redes sociais, e fazendo a inscrição em programas. Tal como disse, temos programas para todos os ciclos de ensino: no básico, temos programas com temáticas já perfeitamente preparadas, onde voluntários das nossas empresas parceiras - onde se encontra a Fundação Santander e os voluntários do Banco Santander - vão à sala de aula falar de algumas temáticas que já estão preparadas, aplicando o programa de cinco sessões; depois, para o ensino secundário e para o superior, acabamos por desafiar os alunos a terem ideias empreendedoras, trabalhar sempre numa ótica dos OBS - Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, e a tentarem encontrar novas soluções para problemas que existam. Os alunos nesta fase do ensino secundário e superior passam primeiro por todo um projeto em sala de aula, com o apoio de professores e voluntários das nossas empresas parceiras, e depois entram numa 2.ª fase de competições regionais, [numa 3.ª de] competições nacionais, e as equipas que se apurarem vão representar a Junior Achievement Portugal ao Gen-E Festival, o maior festival de empreendedorismo da Europa, patrocinado pela Comissão Europeia e onde estão presentes ideias de 40 países da Europa que têm Junior Achievement.
Há quantos anos existe a parceria com o Santander?
A parceria com a Fundação e com o Banco Santander existe desde 2006 e, nestes anos, já conseguimos ter cerca de 900 voluntários do Santander, que perfizeram mais de 10 000 horas de voluntariado e, com este, impactaram cerca de 17 000 alunos.
Que apreciação consegue fazer desta parceria, em concreto?
É uma parceria relevantíssima, até porque o Santander, quer através da sua fundação, quer através do banco, consegue ter uma capilaridade pelo país que é muito importante para nós. Um dos nossos objetivos enquanto ONG é a questão do impacto: o impacto territorial para nós é muito importante - como costumamos dizer, temos programas de Vila Real a Vila Real de Santo António, e como os nossos programas funcionam à base do voluntariado das nossas empresas-parceiras, é muito importante o trabalho que fazemos em parceria com o Santander e com a Fundação Santander, porque nos permite ter voluntários espalhados pelo país todo.
Mas os números que me está a dar são globais. Neste momento, tem noção de quantos voluntários do Santander tem no terreno?
De momento, temos cerca de 60 voluntários do Santander a fazer os nossos programas do norte a sul do país, espalhados por todos os ciclos do ensino.
Que feedback tem por parte das escolas ou dos alunos da atividade da Junior Achievement?
O feedback é sempre muito positivo, porque, na verdade, o que nós conseguimos fazer é acrescentar as softs skills às hard skills que já são trabalhadas pelas escolas e pelos seus currículos. Ou seja, em conjunto com os nossos voluntários na sala de aula nós conseguimos preparar os alunos para um mundo cada vez mais desafiante e onde questões como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, questões como a preocupação com o próximo, mas também algumas questões como trabalho em equipa, liderança, skills comunicacionais são cada vez mais importantes.
(Notícia originariamente publicada a 22 de abril)