O número de trabalhadores com aumentos de salário decididos em negociação coletiva foi, em 2020, o mais baixo de que há registo em seis anos, caindo para 394 277. Face a 2019, foram menos 46%. Foi mais um dos impactos da pandemia no mundo do trabalho, retirando margem para negociar subidas nas remunerações e, em geral, condições de trabalho.
O relatório anual sobre a evolução da contratação coletiva do Centro de Relações Laborais, publicado ontem, mostra que no ano passado apenas foram publicadas 169 convenções coletivas, numa quebra de 30%. Caíram em força os contratos coletivos de trabalho, enquanto os acordos de empresa mantiveram o nível e passaram a dominar.
Em 2020, caíram para metade os trabalhadores abrangidos: 397 638 contra 792 883 em 2019. Destes, 394 277 (ou 99%) viram atualizadas tabelas salariais, com os aumentos a traduzirem-se numa melhoria real das remunerações de 2,3% (ou 2,6%, sem descontar inflação).
A subida média trazida pelas novas tabelas salariais representou um forte abrandamento relativamente aos ganhos conseguidos em 2019, ano em que a contratação coletiva deu um reforço real de 3,4% às remunerações (4,4% em termos nominais).
Apesar do reforço médio de 2,3% em 2020, houve ainda assim vários setores que negociaram ganhos reais superiores. Nas indústrias, com 130 036 abrangidos pelas convenções publicadas, o poder de compra avançou 2,7%, com a remuneração média em 809,83 euros. O ganho foi igual para 72 428 trabalhadores da saúde e do apoio social, com o salário médio nos 734,66 euros.
No comércio e na reparação de veículos, os salários avançaram 3% em termos reais para 49 325 trabalhadores (737,82 euros de salário médio), e os poucos trabalhadores da restauração e alojamento com aumentos negociados no ano passado (13 624) obtiveram melhorias de 2,4%. O salário médio ficou em 768,14 euros.
Já na banca e nos seguros, houve perda de poder de compra. As remunerações caíram em termos reais 0,2% para 20 688 trabalhadores. O salário médio ficou em 1369,68 euros.
O setor dos transportes, preponderante nas convenções publicadas no último ano (55 em 169), trouxe, apesar de tudo, aumentos para poucos trabalhadores - e baixos. Apenas 7650 trabalhadores tiveram atualização nas tabelas, com melhorias reais que não foram além de 0,5%. O salário médio ficou em 957,40 euros.
Os aumentos mais elevados, contudo, foram para o desporto, entretenimento e atividades culturais, com melhoria de 4,7% para 1219 trabalhadores. O salário médio ficou em 1301,33 euros. Na agricultura, também, a subida real foi de 3,8% para 6 776 trabalhadores. Mas a remuneração média ficou em 665 euros, só 30 euros acima do salário mínimo de 2020.