A contribuição das Pequenas e Médias Empresas (PME) para a economia portuguesa deverá atingir os 73 mil milhões de euros até 2025, representando 68,8% de todo o Valor Acrescentado Bruto (VAB) das empresas no país, segundo concluiu o mais recente estudo da Sage, desenvolvido em parceria com o The Centre for Economics and Business Research (Cebr).
A análise debruçou-se sobre o papel daquele setor na recuperação económica em oito mercados-chave, tendo as promotoras recorrido aos insights históricos da recessão de 2007-2009 para prever as tendências de crescimento até 2025. Alemanha, Canadá, Espanha, EUA, França, Irlanda, Portugal e Reino Unido foram os países sondados.
Ora, sem sinais de abrandamento, o número de PME deverá aumentar anualmente em 1,7% em todos aqueles mercados até 2025. Já em Portugal, a previsão é de que este valor cresça em 22 mil, estimando a Sage e o Cebr que existam, à referida data, 917 mil pequenas e médias empresas.
"Muito embora não subestimemos os desafios que estas empresas enfrentam atualmente, sabemos que estão indiscutivelmente mais bem posicionadas para se adaptarem ao cenário económico em mudança, e é encorajador ver o seu papel vital para impulsionar o crescimento a nível mundial", comenta José Luis Martín Zabala, diretor-geral da Sage Iberia.
Num contexto económico que descreve como "extremamente desafiante", o responsável realça a importância de "quantificar" o contributo das PME para a recuperação das economias. Neste sentido, o relatório destaca que, em 2012, por exemplo, o setor contribuiu com pelo menos 48% de toda a produção empresarial dos países em análise.
Contudo, os dados apontam que, nessa mesma altura, algumas economias tiveram mais sucesso do que outras. O motivo? A tecnologia, "um fator determinante para esse sucesso".
Enquanto a Alemanha teve "um desempenho de destaque durante o período pós-crise, com o crescimento sustentado no emprego e contribuição económica das PME durante e após a crise de 2007-2009", Portugal passou "algumas dificuldades após essa recessão económica, com o número de PME e de empregos a cair entre 2008 e 2013".
"Esta disparidade em relação à Alemanha parece fortemente ligada à digitalização, e dados da Eurostat mostram que Portugal está significativamente abaixo da média da UE neste âmbito", referem as entidades, no documento.
Ao examinar de perto os desenvolvimentos das pequenas e médias empresas por setor, concluiu-se que os setores profissional, científico e técnico, em particular, obtiveram fortes ganhos com a digitalização e foram importantes para a recuperação na maioria dos mercados.
"Apesar de o crescimento projetado para as PME ser um sinal positivo, a concretização desta previsão requer um esforço coletivo entre governos e empresas de todas as dimensões. É fundamental aumentar os esforços para assegurar que cada PME conta com as melhores soluções digitais disponíveis, fácil acesso a financiamento, recursos e infraestruturas de classe mundial para permitir um futuro de sucesso. O crescimento das PME não acontecerá por osmose. Elas precisam de apoio contínuo para assegurar a resiliência empresarial num período de crise económica", nota José Luis Martín Zabala.