António Costa e Silva, presidente da Partex, lamentou vivermos um "país de esquizofrénicos", cuja "economia está estagnada", mas "[os políticos] são inimigos das empresas" e "tomam decisões baseadas em populismos das redes sociais", não sendo "mais do que a continuação de Donald Trump". Costa e Silva referia-se à suspensão das prospeções de petróleo e gás natural ao largo do Algarve, aprovada pelo Parlamento neste verão.
A intervenção do responsável da petrolífera da Gulbenkian, na conferência dos 30 anos do INEGI, hoje no Porto, deu o pontapé de saída num debate sobre o futuro da energia e a forma como Portugal poderá beneficiar das mudanças em curso.
"Podíamos ser uma plataforma giratória para a Europa [do gás proveniente dos EUA] se a Península Ibérica deixasse de ser uma ilha energética, mas temos um problema de inteligência, de ausência de políticas públicas e não se falta de recursos naturais", exemplificou Costa e Silva.
Defendendo a inevitabilidade do paradigma energético no Mundo - à medida que os EUA ganham autonomia no gás de xisto e diminui a dimensão dos investimentos necessários a essas explorações -, Costa e Silva apontou a oportunidade para as "pequenas e médias empresas, que podem trabalhar a vertente do consumo inteligente junto do consumidor", a par da integração da informação Big Data na gestão de poços de petróleo, de forma a gerir melhor os recursos e/ou preparar os picos de procura.
"Nunca se produziu tanta informação como agora, mas não estamos (ainda) a aprender nada com ela", apontou Costa e Silva.