A pandemia da covid-19 veio trazer uma realidade completamente nova, que não deixou indiferente nenhum setor. Com uma adaptação ao ensino à distância em tempo recorde, é também importante perceber os impactos atuais (e futuros) no ensino superior.
Num artigo para o World Economic Forum, o investigador na área da educação Conrad Hughes, começa por afirmar que "as universidades são pedras angulares da sociedade e devem ser preservadas."
No plano das universidades, e economicamente falando, é necessário equacionar a queda de matrículas por parte de estudantes internacionais, bem como os "relatos de quedas substanciais no financiamento da investigação", revela o autor.
O vírus que assolou o mundo não vê as suas repercussões na educação universitária restritas ao plano económico e, levanta questões sobre o valor dos diplomas que, tal como defende Conrad, "uma das principais razões pelas quais os estudantes se inscrevem nas universidades é para ter acesso à "experiência universitária" completa que é, principalmente, social." Experiência essa que não se tem mostrado totalmente satisfatória à distância.
No artigo, a questão que se impõe é "qual a necessidade de pagar quantias exorbitantes para aprender online?". Em grande parte dos países da Europa e principalmente dos Estados Unidos, o ensino universitário representa um encargo fiscal bastante elevado e a pandemia "criou uma ameaça real e grave" de tornar estes diplomas "menos atraentes dadas as restrições sociais" e pondo em perspetiva o seu valor no mercado.
"Um colapso económico destas estruturas de educação massificadas levará a uma menor oferta educacional global e, por conseguinte, a um elitismo intensificado entre os que podem pagar essa educação e os que não podem."
Com os estudantes a enfrentar o início (ou agravamento) de uma crise de desemprego, a tendência é que a desmotivação e dificuldades económicas resultem no desinvestimento educacional, explica o investigador.
Hughes afirma ainda que, em prol de uma sociedade civil pautada por "valores comuns e experiências partilhadas" é necessário "defender a instituição da universidade", ainda que seja através de "investimento pessoal, subsídios estatais e patrocínio privado."