Covilhã e Guarda pedem mais comboios após 12 anos de separação

Administrador da CP pede maior aproximação à IP para oferecer melhores serviços aos passageiros. Regionais e Intercidades vão ter preços semelhantes e paragens em cinco estações e apeadeiros.
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Os autarcas da Guarda e da Covilhã pedem mais comboios entre as duas cidades. O regresso da ligação ferroviária entre as linhas da Beira Baixa e da Beira Alta a partir de domingo, após 12 anos de ausência, foi motivo para um debate remoto organizado esta quarta-feira pela gestora das linhas ferroviárias, a Infraestruturas de Portugal (IP). O debate também ficou marcado pelo pedido da CP para se aproximar da IP.

Estão previstas, ao todo, seis ligações por dia em cada sentido entre Covilhã e Guarda, nos serviços regionais e Intercidades. Número insuficiente no entender do presidente da Covilhã, Vítor Pereira: "É necessária uma cadência maior de comboios, pelo menos de 30 em 30 minutos, sobretudo na hora de ponta".

Vítor Pereira destacou que a ferrovia "é um fator determinante para o desenvolvimento da Beira interior", ao permitir a captação de empresas e fixação de população". No contexto do teletrabalho, a linha de comboio "exige serviços ferroviários com elevados padrões de conforto e eficiência".

Do lado da Guarda, Carlos Chaves Monteiro chamou a atenção para a necessidade de um sistema ferroviário "mais rápido e adequado às necessidades".

O autarca recordou ainda que serão necessários pelo menos 41 minutos para percorrer o troço de 46 quilómetros: "é praticamente um minuto por quilómetro. Se o comboio for um transporte mais lento do que a rodovia, poderemos pôr em causa o benefício para as populações".

O debate entre autarcas contou ainda com o presidente de Belmonte. António Dias Rocha assinalou que "a ferrovia não deve ser um motivo de desertificação do interior mas sim de coesão".

A recuperação do troço Covilhã-Guarda retoma a redundância na rede ferroviária na região centro do país. Por exemplo, se houver algum problema na linha do Norte entre Entroncamento e Pampilhosa, o comboio poderá seguir pelas beiras sem haver interrupção.

O transporte de mercadorias também ganha mais condições: na Beira Baixa, poderão circular comboios com 600 metros de comprimento, algo "competitivo" para operadores como destacou o líder da Medway, Carlos Vasconcelos.

A velocidade máxima no troço será de apenas 100 km/h em cinco dos 46 quilómetros deste troço. Haverá ainda 18 passagens de nível automáticas e duas particulares. "Isto torna a ligação penosa para nós", criticou o administrador da CP Pedro Ribeiro.

O dirigente alertou que é necessária maior coordenação com a IP para proporcionar um serviço mais flexível aos passageiros: "As plataformas têm de ter o comprimento necessário para oferecermos um serviço de qualidade aos passageiros. Temos de trabalhar em conjunto com a IP."

Pedro Ribeiro adiantou ainda que os regionais e os intercidades vão parar nas cinco estações e apeadeiros entre Covilhã e Guarda: Caria, Belmonte-Manteigas, Maçainhas, Benespera e Sabugal. A estratégia é "criar mobilidade e iniciativa" para a população regressar ao comboio. Os comboios intercidades terão uma "tarifa competitiva e próxima do Intercidades".

No futuro, o Intercidades apenas deverá parar neste percurso apenas em Covilhã, Belmonte e Guarda.

O vice-presidente da IP, Carlos Fernandes, reconheceu que a linha da Beira Baixa sofreu obras de modernização e de eletrificação desde 2000 "mas sem ganhos de velocidade". Este objetivo terá de ser incluído no programa nacional de investimentos para 2030.

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