Crédit Agrícole prepara-se para sair da Grécia se país deixar o euro

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O Crédit Agrícole está a fazer planos para deixar a Grécia caso o país da zona euro. O terceiro maior banco francês é dono do sexto maior banco grego, o Emporiki Bank, e o plano é conhecido num momento decisivo para Atenas, antes das eleições gerais de domingo.

Neste momento o accionista do BES, detendo 12,27% do banco de Ricardo Salgado, tem duas opções em cima da mesa, segundo uma fonte citada pelo Wall Street Journal, consolidar o Emporiki num grande congolomerado de bancos gregos, com a instituição gaulesa a manter somente 10% do seu capital, actualmente detêm 67%; ou sair da Grécia e deixar o Emporiki entrar em falência.

"Politicamente, se a Grécia saísse da zona euro, o Crédit Agricole não teria a obrigação de ficar", afirmou a fonte. O banco francês está também a pensar em transferir alguns "bons" activos do Empiriki para o seu balanço.

Um banqueiro sénior numa grande instituição grega disse ao WSJ que os bancos perdem entre 600 milhões a 900 milhões de euros diariamente, um número que pode aumentar à medida que o escrutínio se aproxima. Outra fonte que conhece o sistema bancário confirmou as estimativas.

A saída do Crédit Agricole do maior banco detido por capital estrangeiro da Grécia pode prejudicar a reputação da instituição assim como desencadear uma avalanche de processos judiciais. Se a saída for real, vai fazer relembrar outro episódio há 10 anos atrás, quando saiu da Argentina após o default de Buenos Aires.

"O Crédit Agricole pode deixar o Emporiki falir", afirmou o analista da Natixis, Antoine Houssin. "Mas isto pode ser visto com maus olhos pelas outras subsidiárias estrangeiras" do banco.

Os analistas estimam que uma saída do país pode custar, pelo menos, ao banco 5,2 mil milhões de euros. O financiamento directo dos franceses ao Emporiki estava nos 4,6 mil milhões em Março.

Mesmo se a Grécia permanecer no euro, o banco gaulês vai ter de lidar com o aumento dos incumprimentos de pagamento e com a deterioração do ambiente económico. No primeiro trimestre, o Emporiki teve perdas no valor de 905 milhões de euros e as suas acções perderam 70% do seu valor no ano passado.

O banco recusou comentar a notícia, segundo o jornal norte-americano, mas o seu CEO, Jean-Paul Chifflet, veio dizer recentemente que não via a Grécia a sair do euro.

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