Apenas são permitidas algumas espécies mas, no Ministério da Agricultura, já está tudo pronto para acolher os pedidos para as primeiras instalações.
Ultrapassada a barreira legal, quem mais lutou pela legalização da atividade junto da tutela decidiu agora promover um seminário, para dar visibilidade a mais uma valência da agricultura nacional ainda por explorar.
Apesar de o principal mercado para as rãs ser internacional, em especial França e Suíça, existe a convicção de haver no país condições "excecionais" para uma produção "rentável", segundo Bernardo Madeira, diretor da publicação "Agrotec", entidade que organiza o seminário e um dos impulsionadores da atividade.
O clima ameno, sobretudo no Centro e Sul do país, garante, à partida, níveis de produção sem custos excessivos, nomeadamente, relacionados com o aquecimento, podendo, também, aproveitar-se indústrias que produzem excedentes de água quente, como centrais térmicas.
A criação tanto pode ser comercializada viva como transformada, havendo "3 ou 4 grandes importadores franceses" que dominam o mercado. E não são só usadas as coxinhas, tão tradicionais na gastronomia francesa: aproveita-se todo animal, para outros fins alimentares e industriais.
Turquia e Tunísia são os principais fornecedores para a Europa, mas o Brasil é o maior produtor mundial de rãs em cativeiro, muito à frente da França onde só recentemente a atividade se lançou.
Bernardo Madeira também alerta que a criação em cativeiro tem a vantagem de preservar o ambiente, por evitar a captura de espécies selvagens, muitas delas já raras, uma vez que os mercados são abastecidos sobretudo com animais caçados na natureza.
"Pequeno tesouro verde"
Em França, há quem chame à produção de rã o "pequeno tesouro verde". A cotação do produto congelado tem-se mantido estável em torno dos 12,5 euros por quilo, segundo um estudo feito por Bernardo Madeira.
Ranicultura em debate
Todos os assuntos relacionados com a criação de rãs deverão ser abordados por técnicos que se irão reunir no 1.º Seminário Ibérico de Ranicultura, a decorrer na próxima sexta-feira, dia 8, em Vairão, Vila do Conde.