Vai ser criado um grupo de trabalho para definir qual o melhor modelo de reabertura do troço da Linha do Douro entre as estações do Pocinho e Barca d'Alva. A equipa será liderada pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte e contará com o apoio do ministério da Coesão Territorial, segundo o anúncio feito esta sexta-feira em Torre de Moncorvo pela ministra Ana Abrunhosa. Encerrado desde 1988, o troço poderá ganhar um serviço ferroviário turístico e que poderá incluir o transporte de mercadorias.
"A ideia é definirmos que modelo queremos para retomar esse troço. O grupo de trabalho vai fazer a análise custo-benefício, vai tentar perceber, com os atores da região, o melhor modelo para essa retoma", referiu Ana Abrunhosa à saída da reunião com os autarcas da região e o secretário de Estado das Infraestruturas, Jorge Delgado.
Formalmente, o grupo de trabalho será constituído em maio e terá de apresentar as conclusões até ao final de 2021. "Teremos novidades sobre qual a opção para retomar, qual o investimento envolvido e quais as fontes de financiamento", acrescentou a ministra.
O modelo-base deverá passar pela reabertura da linha para o transporte de turistas. Ana Abrunhosa, contudo, não exclui o serviço de mercadorias, como alternativa ao transporte fluvial.
"Estamos a falar de uma região que tem um potencial turístico e produtivo muito importante em várias áreas. É um verdadeiro projeto de coesão territorial, para fomentar o turismo, a agricultura, a agroindústria, e é um projeto que é uma alternativa ao transporte fluvial, que tem as suas limitações pelas condicionantes ambientais", salientou a ministra.
A reabertura da Linha do Douro até à fronteira implica um investimento de 43 milhões de euros, segundo um estudo de 2017 da Infraestruturas de Portugal. Fora dos planos está a reabertura do troço entre a fronteira e La Fuente de San Esteban, que implicaria um investimento entre 87 e 119 milhões de euros do lado espanhol.
O regresso dos comboios a Barca d'Alva tem conquistado cada vez mais apoiantes. Em março, o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, juntou a esta lista. "Sou a favor da extensão da Linha do Douro até Barca d'Alva. Tem um potencial turístico muito importante. É uma das regiões mais bonitas do Douro", admitiu o governante em audição parlamentar em 22 de março.
No início de março, o Parlamento aprovou, por unanimidade, a petição para a reabertura deste troço. O documento apresentado pela Liga dos Amigos do Douro Património Mundial e da Fundação Museu do Douro reuniu 13 999 assinaturas.