2017 é o ano em que a Crioestaminal, o primeiro banco de criopreservação de células estaminais fundado em Portugal, há 14 anos, vai duplicar o seu investimento em investigação e desenvolvimento: de 10% para 20%, num total de um milhão de euros.
Isto para se lançar numa nova área de negócio, a produção de novos medicamentos e terapias de medicina personalizada a partir da manipulação de células estaminais do cordão umbilical para tratar e prevenir patologias como o pé diabético, enfarte do miocárdio, acidente vascular cerebral e até diabetes e autismo.
O objetivo é claro: diversificar a atividade muito além do mero armazenamento de células estaminais e avançar na cadeia de valor até à “utilização futura” dos medicamento em desenvolvimento, garantiu André Gomes, CEO e fundador da Crioestaminal, em entrevista ao Dinheiro Vivo.
Sob a égide do Infarmed, vários ensaios clínicos da Crioestaminal vão avançar já em 2018, mas os medicamentos propriamente ditos ainda vão demorar quatro a cinco anos a chegar ao mercado e a transformarem-se num novo produto comercializável pela empresa com sede no Biocant Park, em Cantanhede.
É aqui que a Crioestaminal vai inaugurar no último trimestre de 2017 uma nova área de laboratórios 100% dedicados à produção de “três medicamentos diferentes, em paralelo”. São, explica André Gomes, “terapias personalizadas para os doentes que vão começar a ser tratados em 2018” em parceria com unidades hospitalares de Coimbra e Lisboa.
Para esta evolução da empresa contribuiu também a criação, em 2015, de um banco de células estaminais para investigação, para o qual já contribuíram “algumas centenas de famílias”.
"Há mais de dez anos que temos projetos de investigação, mas estamos numa fase de viragem. O nosso objetivo é transformar as patentes em novos produtos e para isso estamos a iniciar três ensaios clínicos”, disse o CEO. “Este ano o investimento em I&D vai ser superior ao habitual. Vai chegar muito próximo dos 20%, cerca de 1 milhão de euros. Ao avançar na cadeia de valor, temos de investir mais nesta nova área da empresa.”
Com inúmeros bancos de células estaminais a encerrar portas nos anos da crise, esta foi a forma de a Crioestaminal se adaptar a uma realidade recente marcada pela diminuição do poder de compra das famílias e pela redução da taxa de natalidade em Portugal. “Adquirimos a marca Cytothera e recolhemos as amostras do banco da Bioteca. Comprámos uma empresa em Espanha e estamos presentes também em Itália e na Suíça. Já são quatro os mercados em que atuamos.” Debaixo de olho está igualmente o mercado asiático.
Com uma perspetiva de crescer 20% em Portugal, André Gomes prevê que “2017 seja o ano em que haverá um maior volume de negócios para a área de criopreservação”. Outra meta para 2017 é duplicar o total de vendas ao exterior, para que as exportações representem 20% do negócio do grupo.