Os esquemas de 'mulas de dinheiro', a multi-customer cross wallet activity e a utilização de criptomoedas são as técnicas de lavagem de dinheiro mais utilizadas, sendo que, garante a Feedzai, "a maioria das empresas não está a fazer uso da tecnologia disponível para mitigar as ameaças".
Os dados são do mais recente estudo do unicórnio português, que se dedica à inteligência artificial para prevenir e detetar fraudes nos pagamentos, intitulado The State of Global Anti Money Laundering Compliance, para o qual foram inquiridos 636 peritos de 77 empresas a nível mundial, em especial da área dos serviços financeiros. Três quartos dos inquiridos apontam os esquemas de 'mula de dinheiro', que tanto podem ser voluntários (30%) ou involuntários (44%), como a ameaça mais comum no branqueamento de capitais. A multi-customer cross wallet activity, que se refere à capacidade de um cliente ter várias carteiras - como Apple Wallet, Google e criptomoedas virtuais - anónimas, com diferentes instituições, o que não favorece a transparência, é a segunda técnica mais utilizada e apontada por 56% dos inquiridos.
Por fim, indica a Feedzai que as criptomoedas "estão a ser cada vez mais utilizadas para o branqueamento de capitais", com mais de metade dos profissionais inquiridos a apontar o seu uso como uma ameaça, embora só 26% das empresas monitorizem o risco em torno das cripto e de outras trocas não reguladas. E embora admitam que a partilha de informação é vital no reforço da luta contra a lavagem de dinheiro, 19% dos inquiridos reconhecem que as suas equipam não partilham dados e 15% dizem não saber se essa partilha existe.
"As ameaças de lavagem de dinheiro estão em constante evolução. Os profissionais que trabalham nesta área sentem-se muitas vezes como se estivessem constantemente a recuperar o atraso para abordar os mais recentes padrões de crime financeiro, utilizando frequentemente a tecnologia e as ferramentas já ultrapassadas para enfrentar os desafios de amanhã em matéria de branqueamento de capitais. Adoptar uma abordagem RiskOps proporciona um caminho para fazer melhor uso dos dados, fazer mais para enfrentar a ameaça das criptomoedas e permitir às equipas da AML (Anti-Money Laundering) demonstrar a sua eficácia e erradicar as atividades de mula de dinheiro", refere, citado em comunicado, Nick Parfitt, especialista da área da Feedzai.