As vendas de aparelhos de realidade virtual e aumentada sofreram uma queda significativa de 54,4% no primeiro trimestre de 2023, segundo os dados que a IDC acaba de divulgar. A consultora atribuiu a derrapagem à deterioração das condições macroeconómicas e à expectativa pela entrada iminente da Apple neste mercado. Ansiosos por ver o que a marca lança, os consumidores terão adiado decisões de compra.
"Apesar da quebra, é um momento entusiasmante para o mercado de realidade virtual e aumentada, com a expectativa de novas empresas a entrarem e uma nova geração de dispositivos nas próximas semanas e meses", frisou o analista Jitesh Ubrani.
A base instalada significativa da marca da maçã, disse, vai contribuir para que o seu dispositivo se destaque de outros - ainda que se espere um preço elevado e uma abordagem virada para o "prosumer", o consumidor profissional.
Antecipa-se que a Apple faça o seu anúncio no evento anual para programadores, WWDC, que decorre na próxima semana. Esta quinta-feira, a Meta anunciou o seu próximo dispositivo, Quest 3, que chegará depois do verão com o preço de 499 dólares. É um terço do que custou o Quest Pro aquando do lançamento no ano passado.
A Meta lidera o mercado mundial de AR/VR, com uma quota de mercado de 47,8%. Ainda assim, a PSVR 2 da Sony ganhou terreno no primeiro trimestre, captando 35,9% de quota.
Segue-se a ByteDance (Pico) com 6,1%, e a DPVR e HTC com menos de 2% cada.
O mercado está praticamente todo virado para a realidade virtual (96,2% do total de dispositivos vendidos) mas os aparelhos de realidade aumentada cresceram no trimestre, 12,6% em comparação com o homólogo. A subida deveu-se a aparelhos relativamente simples, como o Nreal, enquanto dispositivos mais sofisticados como os da Microsoft caíram.
Um dos analistas da IDC, Ramon T. Llamas, sublinha que este mercado está num ponto crítico de desenvolvimento e que haverá funcionalidades interessantes a chegarem em breve, tais como rastreamento do olhar e sensores de ambiente. "Até os dispositivos AR/VR que chegarem em 2025 vão fazer os que temos hoje parecerem estranhos."