Ao contrário da pandemia de covid-19, que colocou em "pé de igualdade" toda a economia mundial, a crise energética é um problema da Europa e que coloca "em séria desvantagem" as empresas europeias. Mais, para o presidente da Euratex, a maior confederação têxtil da Europa, a conjuntura atual, com a energia a atingir "níveis de preços sem precedentes", coloca "em risco imediato a própria existência da indústria têxtil" na Europa.
Alberto Paccanelli, que falava na abertura da 10ª Convenção Europeia do Têxtil e Vestuário que decorre no Porto, lembra que a Euratex tem vindo a pedir uma "resposta forte" por parte de Bruxelas, designadamente"impondo um teto máximo nos preços do gás, reorganizando o mercado da eletricidade e oferecendo apoio temporário às empresas afetadas", no entanto assume que as respostas da Comissão Europeia têm sido "dececionantes". Os interesses nacionais dos vários Estados-membros "têm sido mais importantes do que os interesses da Europa como um todo. Vamos a ver o que acontecerá nas próximas semanas com as decisões que serão tomadas no Conselho Europeu", diz.
Para este responsável, no curto prazo a "prioridade deve ser salvaguardar a indústria têxtil", ao mesmo tempo que esta se prepara para um "futuro competitivo a longo prazo". Futuro esse que terá de ser assente em "fundações fortes", ou seja, em inovação, criatividade, qualidade e sustentabilidade. "Eu sei que estas podem parecer só palavras bonitas, mas acredito que precisamos de continuar a investir em inovação, de continuar a atrair criatividade para as nossas empresas, de produzir artigos de alta qualidade e de nos tornarmos mais sustentáveis porque essa é a receita para o nosso sucesso num mercado globalizado e altamente competitivo", frisa.
Mas tudo isso exige diz Alberto Paccanelli, um "novo quadro regulatório no qual a qualidade e a durabilidade se tornem o norte, em que a transparência e a sustentabilidade são premiadas e em que os free riders, que não cumprem com as regras e os standards [europeus], são mantidos fora do mercado". Ou seja, há que garantir que o novo quadro será "justo e equilibrado, o que exige um diálogo constante e próximo entre o regulador e a indústria", defende.
A convenção europeia decorre em simultâneo com o 24º Fórum da Indústria Têxtil Portuguesa, da ATP - Associação Têxtil e Vestuáriod e Portugal, e tem a sustentabilidade e competitividade como tema principal.