A Croácia organiza no domingo um referendo sobre a adesão à União Europeia (UE), prevista para julho de 2013, um "objetivo estratégico" que deve receber o apoio maioritário da população.
Apesar da recente diminuição do entusiasmo pró-europeu devido à crise financeira, as últimas sondagens de opinião revelam o pragmatismo dos croatas: 57 por cento de opiniões favoráveis à integração na União, 33 por cento contra e 11 por cento de indecisos.
Os números denunciam no entanto uma descida no apoio à adesão em comparação com dezembro (60 por cento) e com a semana passada (59 por cento), apesar da campanha pelo "sim" promovida pelas principais forças políticas.
Durante uma intervenção na quinta-feira no Sabor (Parlamento), a ministra dos Negócios Estrangeiros e dos Assuntos Europeus, Vesna Pusic, líder do Partido Popular Croata (HNS, que integra a coligação no poder) considerou que a "estabilidade" é o mais importante argumento para a adesão da Croácia à União.
"O mais importante argumento a favor da adesão à UE é a estabilidade das instituições estatais e a firmeza do Estado, sem as quais não pode haver recuperação económica, direitos humanos, normal funcionamento das instituições e confiança", referiu, citada pela agência noticiosa croata Hina.
A ministra também recorreu à turbulenta história desta região da Europa durante o século XX -- apesar do "período de estabilidade" durante a Jugoslávia socialista de Tito, entre 1945 e início da década de 1980 -- para reforçar os seus argumentos.
"Na nossa experiência pessoal, temos a consciência do que significa a falta de segurança, estabilidade ou mesmo de instituições estatais", disse.
A Aliança para a Mudança, uma coligação eleitoral de centro-esquerda liderada pelo Partido Social Democrata (SDP) do primeiro-ministro Zoran Milanovic, garantiu a maioria absoluta nas legislativas de dezembro e conduziu a campanha pelo "sim", iniciada em 3 de janeiro.
No entanto, o processo de adesão da Croácia, iniciado em 2005, foi conduzido pela União Democrática Croata (HDZ, direita), remetido à oposição na fase final do processo e com diversos responsáveis, incluindo o ex-primeiro-ministro Ivo Sanader, envolvidos em alegados escândalos de corrupção.
Para além dos todos os principais partidos, incluindo a HDZ, o apoio à adesão também mereceu o apoio da influente Igreja católica e ainda dos veteranos da "guerra da independência da Croácia (1991-1995), que destacaram o "progresso" como a principal vantagem da entrada no clube europeu.
Assim, a associação de ex-combatentes Hvidra recordou que o "sonho de todo o combatente em 1991 e do Presidente Franjo Tudjman [o primeiro chefe de Estado do país após a desintegração da Jugoslávia titista] era a entrada da Croácia na UE".
O grande desafio para o novo executivo, até à consumação da adesão, consiste em contrariar um contínuo declínio económico e que durante 2011 implicou manifestações de protesto, sobretudo em Zagreb, de milhares de jovens sem perspetivas de emprego. Os números oficiais revelam que menos 16 por cento da população ativa (400 mil pessoas) está desempregada.
Na quarta-feira, o Banco central admitiu que a Croácia enfrenta uma recessão em 2012, com um crescimento negativo de 0,2 por cento, apesar de prever o regresso à recuperação (1,2 por cento) em 2013.
Neste contexto, Milanovic já prometeu o início de "reformas estruturais", sobretudo o setor da Saúde e administração pública, para além de um "orçamento de austeridade" para fevereiro.
No caso de um voto positivo, a Croácia será a segunda república da antiga Jugoslávia, após a Eslovénia, a integrar a UE.
Ljubljana e Zagreb declaram a secessão da ex-Jugoslávia em junho de 1989 e foram apoiadas pelas principais potências ocidentais no decurso "guerras jugoslavas" da década de 1990. A Eslovénia integrou a União na "grande adesão" de 2004.