Crónicas de uma Desempregada: A minha família de férias é a solução

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Um dos problemas de

ser mãe solteira são as férias. Tive muito medo nas primeiras

férias que passei sozinha (evite-se a palavra "monoparentalidade"

porque aqui há mãe e pai mesmo não vivendo juntos). Medo dos

preços absurdos das agências de viagens que só conhecem o

conceito de dois adultos. Medo de ser ainda mais chata para o meu

filho grande, que na altura tinha três anos, por estarmos os dias

inteiros só os dois. Férias podem ser sinónimo de extremo cansaço.

E isto de ser mãe ou pai solteiro pode também ser sinónimo de uma

enorme solidão. Três situações a evitar.

Felizmente, os

problemas têm solução: pensar e organizar férias em conjunto. Se

não pensaram em férias para apenas um, façamos o nosso próprio

pacote de férias para muitos.

Acredito que "fazer

férias", uma semana ou quinze dias, é fundamental para a

rotina familiar. É uma forma de marcar o final de um ciclo escolar e

dar início a outro. É uma forma de tentar desligar e ter tempo para

ouvir e ver. É uma forma de alterar os lugares, mesmo que se repitam

de ano para ano. É uma forma de criar memórias com outros cheiros e

sensações.

Em minha casa as

férias eram fundamentais para os 350 dias que se seguiam. Lembro-me,

com total nitidez, daqueles dias em que os meus pais eram felizes e

as rotinas se faziam com outra serenidade. Lembro-me do cheiro do

pequeno almoço, do creme de praia, e dos cabelos lavados e ainda

húmidos quando passeávamos depois de jantar.

No primeiro verão

sozinha com o meu filho fui acampar para a Zambujeira do Mar e

convidei uma amiga e um amigo, de quem gosto muito. Enquanto dava um

mergulho, eles liam-lhe uma história. E até dava para tomar banho

depois da praia e pôr creme, enquanto um deles brincava no

escorrega. À noite ficávamos na conversa e até me sentia uma

pessoa normal. Ainda hoje todos nos lembramos desses dias.

Decidi, nesse verão,

que as férias se fariam sempre entre amigos e que, se o meu filho

fosse filho único (o que, felizmente, acabou por não acontecer)

teria memórias de férias rodeado de amigos pequenos e grandes.

Hoje somos muitos,

casais com filhos só dele, só dela ou comuns, mães e pais solteiros, com ou

sem namoro, filhos pequenos e filhos crescidos. Alugamos uma casa

onde cabemos e partilhamos todos os custos e responsabilidades. É

mais barato e mais fácil. O melhor, os nossos filhos crescem juntos

e conscientes que existem famílias de todas as formas, incluindo

esta: a nossa família de férias.

Jornalista e autora do blog Dias de uma Princesa

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