Os CTT e a Sonae Sierra juntaram-se na criação de um veículo de investimento para gerir o portfolio imobiliário da empresa liderada por João Bento, que inclui cerca de 400 imóveis de logística, retalho e uso misto, anunciaram.
Em dois comunicados, os grupos deram conta desta parceria, tendo os CTT explicado que envolverá a aquisição, pela Sierra, de 3,6% neste veículo, por cinco milhões de euros, "prevendo-se que seja convertido numa sociedade de investimento de capital fixo imobiliário".
Depois dessa conversão, a Sierra será nomeada como gestora do portefólio de rendimento e como sociedade gestora dessa entidade, sendo que, "juntamente com o investimento da Sierra, investidores adicionais, tanto institucionais como family offices, irão adquirir uma participação de 26,5%, representando um investimento de 37 milhões de euros", destacaram os CTT.
Por sua vez, a Sonae Sierra realçou que este acordo tem como objetivo "a criação de um veículo de investimento inovador, estratégico e de longo prazo dedicado à gestão do património imobiliário dos CTT, que inclui cerca de 400 imóveis de logística, retalho e uso misto, distribuídos por todo o território nacional".
Segundo o grupo, "os ativos imobiliários detidos pelos CTT serão integrados neste veículo, pretendendo-se que continuem a ser integralmente consolidados pelos CTT", sendo que o portfolio "é composto por 398 ativos com mais de 240 mil metros quadrados de área bruta locável total, com uma avaliação acordada da transação de 139 milhões de euros".
A Sierra indicou que o portfolio "inclui ativos imobiliários de diversas tipologias, nomeadamente retalho, logística, escritórios e outros, em localizações 'prime' e secundárias em Portugal, estando 55% do seu valor concentrado nos distritos de Lisboa e Porto".
De acordo com a empresa, "a missão da Sierra será maximizar o valor dos ativos geridos, através da otimização da ocupação dos espaços, da captação de novos inquilinos e tipologias de uso, e da procura de oportunidades de expansão, nomeadamente na rede logística em Portugal e Espanha, reforçando assim a atratividade de um produto único no País, para um espetro diversificado de investidores".
Para o grupo, "o lançamento deste novo veículo, com um perfil estável de rendimento, irá permitir reforçar a aposta da empresa na sua área de Investment Management" onde gere "atualmente um conjunto de 16 veículos de investimento no valor de 6,3 mil milhões de euros".
A Sierra acredita que para os CTT "esta transação visa melhorar a eficiência da operação dos ativos imobiliários de retalho e de logística; cristalizar o valor do portefólio de rendimento; melhorar a posição de liquidez dos CTT, aumentando as alternativas para futuras oportunidades de alocação de capital", sendo que "a criação deste veículo permitirá uma avaliação mais clara do valor de oportunidade de cada imóvel e uma procura ativa das localizações alternativas que melhor se adequem às necessidades logísticas e comerciais da empresa".
Esta operação está sujeita a um conjunto de condições, "incluindo, entre outras, obtenção das autorizações necessárias da CMVM [Comissão do Mercado de Valores Mobiliários] e a não oposição da Autoridade da Concorrência".