As origens da empresa que hoje conhecemos como CTT - Correios de Portugal, SA remontam a 1520, com a criação do primeiro serviço de correio público no país pelo rei D. Manuel I. Dotada de autonomia administrativa e financeira desde 1911, foi transformada em sociedade anónima em 1992. A privatização chegou pela mão do Governo de Pedro Passos Coelho, em 2013 e 2014. O maior acionista português é, atualmente, o grupo Champalimaud.
Os CTT são o operador postal universal em Portugal, operando também em Espanha e Moçambique. Desenvolvem atividades de correio (incluindo o Serviço Postal Universal), de expresso e encomendas e de serviços financeiros, e são os únicos acionistas do Banco CTT. Têm o exclusivo da emissão de selos com a menção Portugal.
A empresa, que obteve rendimentos operacionais de 695,1 milhões e lucros de 62,2 milhões de euros em 2016, emprega 12.149 pessoas, das quais 11.702 em Portugal, país onde opera uma rede de 4297 lojas, das quais 615 próprias, 1724 em parceria, 1958 postos de venda de selos, a que se juntam 4202 agentes Payshop. O ano passado, os CTT transportaram 780,2 milhões de objetos de correio endereçado, a que se juntaram 497,8 milhões em correio não endereçado e 26,9 milhões de correio expresso e encomendas (14,6 milhões em Portugal e 12,3 milhões em Espanha).
Miguel Salema Garção, diretor de Marca e Comunicação dos CTT, falou ao Dinheiro Vivo sobre a história da empresa e, sobretudo, sobre a sua visão de futuro.
- Os CTT são das poucas empresas com mais de 300 anos ainda em atividade em Portugal. Qual o segredo da longevidade?
Os CTT são sinónimo de proximidade e confiança e, ao longo da sua história de quase 500 anos, sempre souberam adaptar-se e acompanhar o desenvolvimento através da inovação. A evolução tecnológica, iniciada com o telégrafo, e das próprias infraestruturas que ligaram o país de forma dinâmica, de que o caminho-de-ferro é talvez um dos principais símbolos, são apenas dois exemplos - nem muito antigos nem muito recentes – do modo como as alterações de contexto sempre foram um fator de evolução e recriação da própria atividade dos CTT. O digital e a internet é para os CTT uma enorme fonte de oportunidades, sobretudo no que se refere ao comércio eletrónico e ao potencial de negócio a juntar à necessidade crítica de garantir uma complementaridade no mundo físico.
- Quais foram as maiores dificuldades com que a empresa se defrontou?
É talvez um pouco ambicioso nomear dificuldades ao longo de 500 anos. Desafios há em todas as décadas e em todos os sectores de atividade. Os CTT já demonstraram e continuam a a provar que as dificuldades são enfrentadas como oportunidades.
- Quais os factores críticos de sucesso nestes quase 500 anos?
O exercício de aplicar conceitos de gestão do século XX a uma história de cinco séculos implica sempre alguma releitura do passado à luz do que conhecemos melhor, que é o presente. Os serviços postais – de cuja prestação universal os CTT são hoje os concessionários - assumiram historicamente o papel de um canal de comunicação essencial, de excelência e também, um instrumento de coesão territorial e até uma demonstração de soberania. Dou-lhe como exemplo o marco de correio que mantemos nas ilhas Selvagens, na Região Autónoma da Madeira. A presença, a proximidade, a confiança (recordo que os CTT prestam serviços financeiros há muitos anos) e a capacidade de gerir uma complexa rede de distribuição e de retalho podem ser elencados como fatores de sucesso.
- Num mundo crescentemente digital, como imagina os CTT dentro de 20 ou 50 anos?
É da natureza do tempo apresentar-nos desafios. Se nos perguntasse há 50 anos como se poderia antever os CTT provavelmente a maior parte das respostas seriam todas ao lado. Ainda há pouco mais de 20 anos ninguém imaginaria a montanha russa de mutações no modo como as pessoas comunicam. As coisas sempre mudaram, a questão é que agora mudam mais depressa e com outra dinâmica e alcance. Quem imaginaria, há uns anos, quando os postais foram substituídos pelos SMS nos votos natalícios, que meia dúzia anos bastariam para os próprios SMS entrassem em extinção? Os CTT têm vários braços na sua atividade: os serviços digitais, desde a ViaCTT aos recibos online, o serviço CTT e-segue de conveniência, entre outros, as suas redes físicas de aceitação, distribuição e logística; e a sua atividade financeira e bancária. Para todas estas há oportunidades que estamos empenhados e dedicados a agarrar. Não temos dúvidas que os CTT continuarão a fazer parte da vida dos portugueses e das empresas.